© 2002 C.A. dos Santos
Texto revisado em novembro/2002
Em cada esquina um poeta, em cada beco um jornal. Assim é Natal, boêmia e cheia de bares, com poetas e escritores a dar com pau. Fui buscar na literatura referências a antigos bares natalenses. Garimpei o material relacionado abaixo.
Apesar de tantos bares e botecos, apenas a Confeitaria Delícia teve a primazia de ser imortalizada numa obra exclusiva. Trata-se do magnífico livro de José Alexandre Garcia, Acontecências e tipos da Confeitaria Delícia, ao qual dedicarei uma crônica exclusiva, a ser publicada aqui neste blog.
A vida boêmia ocupa boa parte da obra de Diógenes da Cunha Lima (Natal. Biografia de uma cidade), mas ele pouco menciona os nomes dos bares. Quando fala de Albimar Marinho, é um bar atrás do outro. Quando fala de Berilo Wanderley, menciona o bar do Nemésio, mas não diz como se chamava. Não seria Granada Bar?. Alguém pode me confirmar?
Diógenes também fala do Bar da Tripa, e conta uma história muito engraçada envolvendo Zé Areia, barbeiro, boêmio, humorista nato, improvisador, satírico e epigramista. Era assim que Diógenes via Zé Areia. A propósito, José Alexandre Garcia fala bastante de Zé Areia, principalmente das suas estripulias na Confeitaria Delícia.
Vingt-un Rosado, com a sua insuperável visão editorial, publicou um pequeno trecho do diário de viagem do americano John dos Passos, quando este visitou o Rio Grande do Norte, lá pelos idos de 1962. Quando descreve sua chegada em Natal, ele diz: Descemos no hotel no centro da cidade. Consegue-se no bar um gim tônico [sic] pouco convidativo, mas não há sanduíches. Algumas pessoas de aspecto desanimador transpiram na entrada do hotel. Não almoçamos. São três da tarde e estamos famintos. Mas só conseguimos para comer algumas fatias de queijo seco. Sem pão.
Pela descrição, suponho que John dos Passos esteja se referindo ao Grande Hotel, que era, à época, o melhor hotel de Natal, mas estava localizado na ribeira, e não no centro da cidade.
Boêmio por natureza, Augusto Severo Neto (ASN) refere-se a vários bares no seu agradabilíssimo Ontem vestido de menino. Situado na Tavares de Lyra, o Cova de Onça era um bar parecido com os aristocráticos bares portugueses do Rossio. Durante os anos vinte, trinta e quarenta servia cafezinhos, vermute, cinzano, quinado Constatinno, conhaque Macieira, tudo isso acompanhado de azeitonas e queijo do reino. Entre petiscos, aperitivos e muita conversa política, ficou o dito popular: conversa fiada foi o que fechou o Cova da Onça.
O Café Magestic, ficava em frente ao Royal Cinema, bem ali na esquina da Ulisses Caldas com a Vigário Bartolomeu. Quando ASN o conheceu já dava ares de decadência: Semi-pardieiro de água-e-meia, teto metade forrado com tábua de forro de pinho-de-Riga, metade de telha vã, com muita teia, caibros redondos, viga e tesouras descobertas. Deve ter tido melhor vida, senão não teria o lugar que tem no nosso imaginário. Quem conta sua história detalhadamente é João Amorim Guimarães em Natal do meu tempo. João Amorim nos informa que no local do Magestic existia, no início do século XX, o Café Potiguarânia.
Augusto Severo Neto também escreve sobre o bar do Hotel Internacional, o Wonder Bar, o OK Bar e o Zepelim, dos quais me ocuparei em crônicas futuras.
Falando sobre Os americanos em Natal, Lenine Pinto refere-se ao Café O Grande Ponto, no centro da cidade, e ao bar do Grande Hotel, na Ribeira, aquele mesmo que deve sido visitado por John dos Passos. Nesta foto (extraída de http://grandeponto.blogspot.com/), o Café o Grande Ponto é o primeiro prédio à esquerda.
O Café São Luís, de tantas histórias, é mencionado por Jeanne Fonseca quando descreve o Grande Ponto.
Em O menino e seu pai caçador, Berilo Wanderley faz um comovente obituário do Bar e Confeitaria Cisne e uma elegia em prosa para o Restaurante Pérola e para o Bar do Nasi, ambos no famoso Beco da Lama.
Bibliografia
GARCIA, J.A. Acontecências e tipos da Confeitaria Delícia Natal: Clima, 1987.
GUIMARÃES, J.A. Natal do meu tempo. Natal: Fundação Hélio Galvão, 1999.
LEIROS, J. Relembranças. Natal: Nossa Editora, 1985.
LIMA, D.C. Natal. Biografia de uma cidade. Rio de Janeiro: Lidador, 1999.
NESI, J.F.L. Caminhos de Natal. Natal: Gráfica Diplomata, 2002.
PINTO, L. Os americanos em Natal. Natal: Sebo Vermelho, 2000.
ROSADO, V. John dos Passos no Rio Grande do Norte. Natal: Gráfica Diplomata, 2002.
SEVERO NETO, A. Ontem vestido de menino. Natal: Nossa Editora, 1985.
WANDERLEY, B. O menino e seu pai caçador. Natal: Clima, 1980.


adoro bar com literatura, como o bar do escritor.
http://www.bardoescritor.net
então leiam o livro “de bar em bar” fala da historia de theresa duncan.. professora.. que tenta se divertir em bares estranhos de sua cidade.. e é assassinada em um de sues romances com bebuns! (skeci o nome da autora, ki eh muito importante,, maas, peço desculpas, outro dia publico)
ha como lembro da cofeitaria delicia onde comprei culoseimas do bar de nemesio e o granda bar ferquentado por gente da sociedade natalense cito alguns berilo wanderley seu pai romulo wanderley seu irmao gilbeto wanderley lauro arruda lauro alves de sousa entre outros tantos que apreciavam as delicias da espanha feitas por nemesio ha tambem a cantina llettiere e otempo passou e natal cresceu nemesio so saudades bem como a confeitaria delicia e a cantina letiere jamais guardo em minha memoria