A Confeitaria Atheneu era assim denominada por causa do Colégio Estadual do Atheneu Norteriograndense, que ficava em frente. De inocente confeitaria colegial, o estabelecimento logo transformou-se em concorrido bar dos boêmios que por ali residiam. Nos finais de semana, a partir de 6a feira, a bebedeira corria solta, até porque ficava próximo ao ABC Futebol Clube, onde nas noites de sexta-feira tinha uma concorrida festa.
Durante a semana, nos intervalos das aulas, suas mesas eram testemunhas de histórias folclóricas algumas, maliciosas outras, e mentirosas a maioria. Em solene juramento prometo, contarei as mais mentirosas.
Mas não era só dessas pequenas vilanias que a Confeitaria Atheneu era palco. Eram freqüentes as acirradas disputas pela solução de problemas e charadas não usuais. Lembro bem de um problema que resistiu semanas sem solução. Além do menino que o apresentou, apenas um outro encontrou a solução. Ainda lembro o enunciado, mas a modéstia impede-me de denunciar o autor da solução.
Um pai falou para o filho: Eu tenho o quíntuplo da idade que tu tinhas, quando eu tinha a idade que tu tens. Quando tiveres a idade que eu tenho, nossas idades somarão 120 anos. Quais as idades do pai e do filho?
A quem interessar possa, o pai tem 50 anos e o filho 30.


Querido Carlos,
Acabei de ler e me deliciar com sua histórias e estórias sobre os bares de Natal.
Como fui, juntamente com você, Everton e Marcelo, “testemunhas oculares de vista” de alguns casos ocorridos naquela época faço algumas considerações sobre seus textos:
– O Bar e Restaurante do Nemésio iniciou na Av. Rio Branco quase vizinho a antiga Escola Industrial e era frequentado pelos antigos boêmios de Natal, entre êles Márcio Marinho. Depois mudou-se para a mesma avenida, próximo ao Banespa, lembra-se?
– O Granada Bar era no local de onde depois foi construído o Hotel Ducal
– Os irmãos que brigavam em vários bares, festas e boites de Natal eram os Cariellos.
– Foi no Brisa del Mare, em uma bela noite de lua, que um grupo de jovens da época, Eu, Marcelo e Everton, na companhia da bela Salete (única mulher casada da época que frequentava o Briza) tomou um porre em comemoração ao fim da guerra do Vietnan. Era a esquerda festiva da época. Que maravilha!!!
– O aluno que você se refere, no episódio acontecido no Palhoça, é nada mais nada menos que nosso amigo Artur Carriço, hoje físico renomado e possivelmente futuro ganhador do Prêmio Nobel. Estou torcendo. O fato do ponto de exclamação aconteceu no cursinho de Laécio, na rua Seridó.
receba um forte abraço,
Aníbal Barbalho
p.s. outra estórias da época, depois eu conto. Exemplo: viagem para Angicos e Areia Branca no fusquinha de Geraldo Pereira Pinto.a
Mui querido amigo:
Agradeço os acréscimos, corretos e oportunos, pelos quais dou fé sem titubear, sabedor que sou da sua memória de elefante.
Talvez deva esclarecer que este material foi elaborado para uma abordagem ficcional, razão pela qual omiti os nomes dos personagens, para evitar constrangimentos. O prof. Joerton é uma ficção, mas tem algo de um velho conhecido nosso. Não revelo o nome nem sob tortura! O acontecido na Palhoça também é uma ficção.
Um esclarecimento Carriço foi o aluno que disse: O sinal de exclamação está exclamando: Oh, menino, quanto és burro!. O aluno que fez a pergunta também não revelo, mas imagino que você lembre quem seja. Vê lá hein, não vá me comprometer, revelando o nome para a meia dúzia de leitores deste blogueto!
Da hilária viagem a Angicos e Areia Branca tenho uma recordação pessoal que acho nem você sabe.