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Archive for maio \02\-03:00 2008

Este é o título da minha coluna de abril, disponível em http://cienciahoje.uol.com.br/118238

Veja o início e o final da coluna:

Consta nos arquivos da Universidade de Würzburg, na Alemanha, que a radiografia ao lado foi obtida no dia 23 de janeiro de 1896 pelo físico alemão Wilhelm Conrad Roentgen (1845-1923), a quem se deve a descoberta dos raios-X. Ao que se sabe, essa radiografia – da mão do professor de anatomia Alfred von Koelliker – foi a segunda e última obtida por Roentgen com partes do corpo humano. A primeira representa a mão da sua mulher, em 22 de dezembro de 1895.

De Roentgen a Hounsfield, a centenária história dos raios-X tem mostrado um padrão característico. Como num processo dicotômico, as descobertas inicialmente fascinam pelo inusitado e pelas possibilidades de aplicações médicas e tecnológicas, para no momento seguinte causarem inquietação pelos efeitos danosos. Entretanto, sempre que emerge a inquietação, a humanidade busca um compromisso no qual os benefícios sejam potencializados e os riscos, minimizados. O recente alerta de Brenner e Hall faz parte desse processo, como também fazem parte enaltecedoras observações registradas na literatura. Não há como deixar de se impressionar com a qualidade das imagens obtidas com a tomografia computadorizada. Se assim não fosse, como explicar o interesse recente pelo tratamento artístico dessas imagens?

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Artigo publicado no jornal Zero Hora, um dia após a morte de César Lattes.

Veja o artigo completo em http://www.if.ufrgs.br/~cas/lattes_zh.htm

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Nos anos sessenta, o bar Brisa do Mar era um ponto de encontro do meio intelectual natalense. Entenda-se, para usar uma expressão da época, era o ponto de encontro do underground. Hoje poderia muito bem ser classificado como um bar GLS. Ficava na margem do rio Potengi, na altura da rua João da Mata, próximo à Casa do Estudante, os principais freqüentadores do recinto.

Também ficava perto da Pedra do Rosário, de onde este belo pôr-do-sol foi captado

(http://flog.digizap.com.br/flog.php?cod_foto=30558&cod_usuario=579).

Depois trocaram o nome do bar. Passou a chamar-se Brisa del Mare. Já tinha essa bobagem naquela época. Era o início da grande Greenville em que se transformou este país.

Além dessas circunstâncias sociológicas, o bar era famoso pelo
carangueijo no leite de côco
, preparado por Nazareno, a
Madame Satã
potiguar. Como o malandro e homossexual carioca, Nazareno também era um negrão forte, e costumava desafiar machões e valentões, batendo no peito e falando alto:

Sou muito mulher para bater em você.

Certa noite de lua cheia, o bar lotado, a farra corria solta. De repente, falta luz na cidade. Blecaute total. Imediatamente, alguém, com voz de soprano, grita na sua típica afetação:

Atenção, atenção, meninas, vamos fazer a chamada: Jane.

– Presente, respondeu outra na mais estridente fanfarra.

Os nomes sucederam-se: Odete, Cristina, Gigliola, Ariene…

A cada nome, um presente ora escandaloso, ora comedido.

A luz chegou e alguém começou a dedilhar malaguenha no seu bem afinado violão. Uma dançarina, com calça Saint-Tropez coladíssima no corpo, ensaia trejeitos castelhanos.

A birita já tinha chegado ao meu limite quando descobri que a linda menina dos meus desejos estava com sua namorada, vigilante namorada, entenda-se.

Notas

Carangueijo no leite de côco: Usualmente, o carangueijo é preparado n’água e sal. Coloca-se o carangueijo vivo na água fervendo e adiciona-se sal. Quando o carangueijo fica vermelho, está pronto. Parece que Nazareno foi um dos primeiros a preparar o carangueijo com leite de côco. A receita é ótima, e desde então passou a ser muito utilizada. volta.

Madame Satã: João Francisco dos Santos, malandro, preto, pobre e homossexual, transformou-se em personagem folclórica da boêmia carioca na Lapa dos anos trinta. Com o apelido de Madame Satã virou mito de coragem na brigas de rua. volta

Calça Saint Tropez: Foi moda nos anos sessenta. Trata-se de uma calça com o cós bem abaixo do umbigo. Está de volta neste novo século. volta

Birita: Bebida. volta

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O texto aqui apresentado é inspirado no extraordinário livro de José Alexandre Garcia, Acontecências e tipos da Confeitaria Delícia (Clima, 1987).

Em 1942, o chileno Jacob Lamas e seu cunhado italiano, Amadeu Grandi fundaram a Confeitaria. O potencial econômico ficou logo evidente, mas a administração do empreendimento era um problema para o representante comercial Jacob e para o alfaiate Amadeu. Estava claro que a confeitaria não podia ocupar o lugar dos ofícios primários dos proprietários. Resolveram vender, enquanto estava no auge.

Sinval Duarte Pereira, filho de Ismael Pereira adquiriu o estabelecimento e convidou o português Olívio Domingues da Silva para gerenciá-lo. Para Olívio a atividade comercial era inata. O freguês entrava para comprar uma caixinha de fósforo e saía com uma caixa de vinho. Logo a Confeitaria ganhou um reservado para funcionamento de um bar.

Em 1948, Olívio adquiriu o estabelecimento por Cento e vinte mil cruzeiros, uma fortuna! A transação foi acompanhada de fatos cheios de ternura e confiança na honestidade de Olívio. Sinval exigia sessenta mil cruzeiros no ato e sessenta mil em promissórias. As economias de toda a vida não davam ao português mais do que quarenta mil. O patrício Manoel Gonçalves Ribeiro entregou, espontaneamente, os vinte mil cruzeiros para a entrada.

Você começa a me pagar quando começar a ganhar dinheiro, disse antes de ouvir os enternecidos agradecimentos do conterrâneo pobre.

Olívia desejava que Oswaldo Medeiros fosse um dos seus avalistas, mas não tinha coragem para fazer a abordagem. Vejamos, nas palavras de José Alexandre, como isso se sucedeu.

Oswaldo raramente aparecia na Delícia e quando o fazia era às pressas, só comprava à vista, só pagava à vista, negócio com ele era como Cancão dizia “em cima do pára-lama, pei e pou”. Comprou, pagou. Ainda por cima, era meio caladão, sem muitas intimidades, fidalgo, passara anos estudando na França.

Um belo começo de tarde, inopinadamente, entra Oswaldo no bar. Uma forte azia complicava-lhe a digestão. Pediu um bitter.

Olívio fez das tripas coração. Falou.

O filho de Aureliano não disse palavra. Sentou-se no birô do dono, cavalgou os óculos no nariz e comandou.

-Traga as promissórias.

Olívio ainda duvidava.

-O sr. vai assinar todas, “seu” Oswaldo?

Oswaldo, de Parker 51 em punho, balançou a cabeça afirmativamente.

-Olívio, se num mês, você não tiver o dinheiro todo, me procure que eu completo.

Grossas lágrimas desceram pelo rosto do portuga.

Finalmente era dono e senhor da Confeitaria Delícia.

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Texto escrito em 2002

Em cada esquina um poeta, em cada beco um jornal. Assim é Natal, boêmia e cheia de bares, com poetas e escritores a dar com pau. Fui buscar na literatura referências a antigos bares natalenses. Garimpei o material relacionado abaixo.

Apesar de tantos bares e botecos, apenas a Confeitaria Delícia teve a primazia de ser imortalizada numa obra exclusiva. Trata-se do magnífico livro de José Alexandre Garcia, Acontecências e tipos da Confeitaria Delícia, ao qual dedicarei uma crônica exclusiva, a ser publicada aqui neste blog.

A vida boêmia ocupa boa parte da obra de Diógenes da Cunha Lima (Natal. Biografia de uma cidade), mas ele pouco menciona os nomes dos bares. Quando fala de Albimar Marinho, é um bar atrás do outro. Quando fala de Berilo Wanderley, menciona o bar do Nemésio, mas não diz como se chamava. Não seria Granada Bar?. Alguém pode me confirmar?

Diógenes também fala do Bar da Tripa, e conta uma história muito engraçada envolvendo Zé Areia, barbeiro, boêmio, humorista nato, improvisador, satírico e epigramista. Era assim que Diógenes via Zé Areia. A propósito, José Alexandre Garcia fala bastante de Zé Areia, principalmente das suas estripulias na Confeitaria Delícia.

Vingt-un Rosado, com a sua insuperável visão editorial, publicou um pequeno trecho do diário de viagem do americano John dos Passos, quando este visitou o Rio Grande do Norte, lá pelos idos de 1962. Quando descreve sua chegada em Natal, ele diz: Descemos no hotel no centro da cidade. Consegue-se no bar um gim tônico [sic] pouco convidativo, mas não há sanduíches. Algumas pessoas de aspecto desanimador transpiram na entrada do hotel. Não almoçamos. São três da tarde e estamos famintos. Mas só conseguimos para comer algumas fatias de queijo seco. Sem pão.

Pela descrição, suponho que John dos Passos esteja se referindo ao Grande Hotel, que era, à época, o melhor hotel de Natal, mas estava localizado na ribeira, e não no centro da cidade.

Boêmio por natureza, Augusto Severo Neto (ASN) refere-se a vários bares no seu agradabilíssimo Ontem vestido de menino. Situado na Tavares de Lyra, o Cova de Onça era um bar parecido com os aristocráticos bares portugueses do Rossio. Durante os anos vinte, trinta e quarenta servia cafezinhos, vermute, cinzano, quinado Constatinno, conhaque Macieira, tudo isso acompanhado de azeitonas e queijo do reino. Entre petiscos, aperitivos e muita conversa política, ficou o dito popular: conversa fiada foi o que fechou o Cova da Onça.

O Café Magestic, ficava em frente ao Royal Cinema, bem ali na esquina da Ulisses Caldas com a Vigário Bartolomeu. Quando ASN o conheceu já dava ares de decadência: Semi-pardieiro de água-e-meia, teto metade forrado com tábua de forro de pinho-de-Riga, metade de telha vã, com muita teia, caibros redondos, viga e tesouras descobertas. Deve ter tido melhor vida, senão não teria o lugar que tem no nosso imaginário. Quem conta sua história detalhadamente é João Amorim Guimarães em Natal do meu tempo. João Amorim nos informa que no local do Magestic existia, no início do século XX, o Café Potiguarânia.

Augusto Severo Neto também escreve sobre o bar do Hotel Internacional, o Wonder Bar, o OK Bar e o Zepelim, dos quais me ocuparei em crônicas futuras.

Falando sobre Os americanos em Natal, Lenine Pinto refere-se ao Café O Grande Ponto, no centro da cidade, e ao bar do Grande Hotel, na Ribeira, aquele mesmo que deve sido visitado por John dos Passos.

Nesta foto (extraída de http://grandeponto.blogspot.com/), o Café Grande Ponto é o primeiro prédio à esquerda.

O Café São Luís, de tantas histórias, é mencionado por Jeanne Fonseca quando descreve o Grande Ponto.

Em O menino e seu pai caçador, Berilo Wanderley faz um comovente obituário do Bar e Confeitaria Cisne e uma elegia em prosa para o Restaurante Pérola e para o Bar do Nasi, ambos no famoso Beco da Lama.

Bibliografia

GARCIA, J.A. Acontecências e tipos da Confeitaria Delícia Natal: Clima, 1987.
GUIMARÃES, J.A. Natal do meu tempo. Natal: Fundação Hélio Galvão, 1999.
LEIROS, J. Relembranças. Natal: Nossa Editora, 1985.
LIMA, D.C. Natal. Biografia de uma cidade. Rio de Janeiro: Lidador, 1999.
NESI, J.F.L. Caminhos de Natal. Natal: Gráfica Diplomata, 2002.
PINTO, L. Os americanos em Natal. Natal: Sebo Vermelho, 2000.
ROSADO, V. John dos Passos no Rio Grande do Norte. Natal: Gráfica Diplomata, 2002.
SEVERO NETO, A. Ontem vestido de menino. Natal: Nossa Editora, 1985.
WANDERLEY, B. O menino e seu pai caçador. Natal: Clima, 1980.

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