Essa história da dominação cultural, ou aquilo que se manifesta como dominação cultural, tem, no meu entendimento, três componentes: a dominação, propriamente dita, a ignorância cultural (limitada alfabetização linguística) e o exibicionismo.
Nem sempre é fácil identificar qual componente é mais importante em determinado indivíduo.
Hoje, na transmissão do jogo de voleibol Brasil x França, o narrador da Globo, Luis Roberto começou pronunciando SÂMICA. Coloquei o acento para ressaltar a pronúncia proparoxítona, coisa muito comum na língua inglesa. O narrador é culturalmente dominado!
Comentei com minha mulher: os franceses adoram a pronúncia oxítona. SÂMICA deve ser SAMICÁ.
Não deu outra. No primeiro pedido de tempo do Bernardinho ele falou algo a respeito do Samicá (acento colocado para salientar a pronúncia oxítona). O Tande passou a pronunciar Samicá e o Luis Roberto idem, não sem antes dar uma explicação esfarrapada para sua pronúncia.
Agora, se eles fossem como os franceses, que têm pouca influência do modo de falar do exterior, pouca dominação cultural, eles deveriam pronunciar SAMÍCA (paroxítona), que é o jeitão brasileiro de falar esse tipo de palavra. Sâmica é coisa de nativos da língua inglesa.


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