Descobri nesses últimos dias, o blog do Marcelo, filho do Dr. Vicente Dutra, nosso dentista na Areia Branca dos anos sessenta. Dr. Brás Pereira era o outro dentista. Circulando por lá, encontrei uma bela mensagem que fez em homenagem a D. Ritinha, mulher do Dr. Gentil, os pais de Axel, Izolda, Evangelina, Chico Zé, Haroldo, Júnior, e mais dois ou três cujos nomes não lembro. Coloquei um comentário, cujos principais trechos reproduzo aqui.

Esta é uma foto dos anos 60-70. No primeiro plano vê-se a prefeitura. A casa grande na esquina é a casa de Manoel Bento. A casa menor, no canto direito da foto, é a casa onde morava a família de Dr. Gentil. Ficava quase em frente à casa do Dr. Vicente.
Tenho agradabilíssimas recordações da família do saudoso Dr. Gentil. Fui amigo de muitos dos seus filhos, a começar pela Izolda (acho que o Marconi estava se referindo a ela, quando mencionou o envolvimento de Evangelina com o movimento estudantil). Izolda era minha grande rival na escola de D. Chiquita do Carmo. D. Alice Carvalho era nossa professora. Com o perdão pela falta de modéstia, devo dizer que ao final de cada mês era uma ansiedade danada para saber quem tinha tirado as melhores notas. Ora Izolda ficava na frente, ora eu tirava notas melhores. Ninguém nos ultrapassava. Isso deixava Seu Clodomiro e D. Albertina cheios de orgulho e certamente que Dr. Gentil e D. Ritinha também tinham mais do que motivos para se orgulharem da filha inteligente e aplicada.
Nos anos 70 Izolda foi presa em frente à ETFERN. Soube depois que ela tinha conseguido asilo político em algum país da América do Sul, parece que no Chile.
Fui amigo do Axel e do Chico Zé. Haroldo e Júnior eram mais amigos do meu irmão, Clécio.
Quando estive no Rio, fazendo meu curso de física na PUC, visitei o Axel, em companhia de Chico Novo (Chico Avelino, filho de Chico Avelino). Ele morava, huuum, não lembro o nome do bairro, na zona norte do Rio. Lembro que depois do almoço sentamos numa varanda e devoramos uma bacia enorme de laranjas. Por que diabos aquela imagem ficou marcada em minha memória?
Saudades, saudades . . .
Saudade / Palavra triste / Quando se perde / Um grande amor / Na estrada longa da vida / Eu vou chorando / A minha dor . . .
Não, não é desse gênero musical que eu gosto, nem é este sentimento que me domina o espírito. Mencionei o trecho da música, simplesmente porque ecoava de muitas casas nas manhãs areia-branquenses dos anos 60.


Caro Carlos
Realmente Dona Ritinha e Dr. Gentil são figuras emblemáticas de Areia Branca. Obrigado por utilizar minha homenagem com inspiração para seu post.
Passeei pelos seus textos e faço algumas observações e comentários:
1. o nome é “Beco da Galinha Morta” mesmo. Tenho certeza porque a frente da minha casa ficava na Rua da Frente (Coronel Fausto) e o fundo dava para este beco.
2. Sua estória de possuir a chave dos fundos do cine Miramar é muito boa. Lembro-me que, como morava vizinho ao cinema, às vezes eu assistia filmes sentado no muro que dividia o cinema e a casa, pois as portas laterais do Miramar costumavam ficar abertas.
3. Tenho vagfas lembranças do trio formado por Maninho, Bobô e Zé Amorim. Mas nunca esqueci um trecho de uma música que eles cantavam “…que beleza, que encanto me fascina / Areia Branca, terra das salinas”.
4. Tipos populares: não lembro de Casca-de-Ovo, mas lembro-me de um doido apelidado Corococó e de uma figura que chamavam de Macaco.
5. Brinquei muito de Tica-Bandeira, joguei Fura-chão e brinquei de pião. Não lembro do nome do ato de quebrar outro pião com o nosso, mas fiz muito isso.
6. Um filme que não esqueci até hoje no cine Miramar foi “Sayonara”. Eu era criança mas fiquei apaixonado pela atriz. Lembro também dos seriados que passavam antes da sessão principal, assim como de algumas “manhas” para entrar de graça no cinema.
7. Conheci suas professoras, mas fui aluno da Escola Pereira Carneiro, na Rua da Frente, defronte o Cais antigo. Minha professora era Dona Julita. Havia também Dona Natinha e Dona Priscila. A escola era quase vizinha da casa do Seu Segundo e Dona Madalena, pais de Geísa, Duarte, Fátima e Milcah.
Fico por aqui para não me alongar demais. Aos poucos vou lembrando de outras coisas e contando prá você.
Um abraço…Marcelo
Marcelo, na verdade a rua Cel. Fausto, onde ficava sua casa e o antigo Cine Cel. Fausto, era na “época do onça”, conhecida como rua do meio. A rua da frente era aquela onde ficava a escola da D. Julita, outro ícone da educação em Areia Branca.
Tenho uma história muito engraçada acontecida na casa de Duarte, envolvendo o próprio, quando era magérrimo (será que ficou mais gordo? Faz séculos que não o vejo) e Dedé de Queiroz, que era um elefante de tão grande e gordo!
Continuando o comentário:
Tinha uma lenda de que Macaco atravessava o rio de um mergulho. Agora que ele tinha um fôlego dos diabos, lá isso tinha. Eu mesmo presenciei exibições dele ali na maré de deixar todo mundo de boca aberta.
Talvez o Corococó que vc se refere seja o Có, um dos irmãos gêmeos. Acho que o outro era Dé, não sei. Existia uma anedota de que Có estava roubando uma galinha e ela começou a fazer Cocoricó, e ele dizia para a dita cuja:
– não é o Có, é o Dé!
Meus caros amigos Carlos e Marcelo, quero parabeniza-los por nos proporcionar histórias de Areia Branca, que eu particurlarmente tenho grandes recordações e saudades do nosso tempo. agostaria se me fosse permitido colaborar com meu saudosismo levando aos conterraneos um pouco das lembranças de nossa terra.
Um forte abraço e nos encontraremos em Areia Branca no grande encontro do dia 12 de junho.
Aristides Siqueira