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Archive for 8 de maio de 2014

Comentário feito por Krishnamurti Andrade no Facebook do Mestrado Profissional de Ensino de Física da UFRJ:

“Torno a perguntar, a SBF se opõe a essa ideia bizarra do MEC mas há físicos aparentemente apoiando o “Currículo interdisciplinar para licenciatura em ciências da natureza” como no link que coloquei acima.

Ué, esse “superprofessor” que se formará nesses cursos não é exatamente o operário que o mec está querendo?”

O posicionamento da SBF mencionado no comentário encontra-se neste link.

Os posicionamentos em relação ao projeto do MEC para mudança nos currículos do ensino médio ultrapassam os limites de uma discussão pedagógica, ao passo que a proposta de um currículo interdisciplinar para licenciatura em ciências da natureza que apresentei no referido artigo limitam-se a aspectos pedagógicos.

Conheço inúmeros fatos para justificar abordagem pedagógica interdisciplinar no ensino de ciências da natureza. Citarei alguns.

1) Uma professora de biologia da USP relatou que uma aluna perguntou se o carbono que eles estavam estudando era o mesmo carbono que ela conheceu na disciplina de química.

2) Ao perguntar a um professor de física como se dava o início do processo da fotossíntese, uma aluna de biologia ouviu a resposta: não sei, sou físico e não biólogo. A fotossíntese começa com um efeito fotoelétrico, e não há nada mais apreciado pelos físicos do que o assunto que deu o Nobel a Albert Einstein.

3) Acabei de fazer um levantamento na Web of Science (WoS), com a palavra-chave biology. Entre os 10 artigos mais citados, encontram-se as seguintes palavras-chaves: molecular modeling, molecular dynamics visualization,  proteins, software, langmuir-blodgett films, nonlinear optical response, enhanced raman scattering, single-crystal surfaces. Existe algo mais interdisciplinar do que isso? Nossos bacharéis e licenciados de biologia, física e química estão sendo preparados para esse perfil de pesquisa científica?

4) Examinando as ementas (súmulas) dos bacharelados e licenciaturas de biologia, física e química de várias universidades brasileiras, tem-se a impressão que existe uma termodinâmica diferente para cada área. E pesquisadores de biologia molecular têm que dominar a termodinâmica tanto quanto físicos.

O currículo interdisciplinar que propomos é para formar professores de ciências para o ensino fundamental e de biologia, de física e de química para o ensino médio. Não estamos propondo um professor de ciências para o ensino médio. Agora, o que se pretende é não formar professores de física que pensem que a fotossíntese é um problema exclusivo da biologia, professores de biologia que desconheçam as leis básicas da termodinâmica e da eletrodinâmica que explicam fenômenos de dinâmica molecular.

 

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Artigo aceito para publicação na Revista Brasileira de Ensino de Física

Resumo
Descreve-se neste trabalho uma proposta de currículo interdisciplinar para a formação de professores de ciências da natureza. O curso permite a
obtenção de quatro diplomas: professor de ciências para o ensino fundamental (nomenclatura brasileira), professor de biologia, física e química para o ensino médio. O diploma de professor de ciências é obtido com a integralização de créditos oferecidos ao longo dos três primeiros anos do curso. Para cada ano subsequente é possível obter os diplomas de professor do ensino médio. Os componentes curriculares pertinentes às ciências da
natureza são inteiramente interdisciplinares nos três primeiros anos. No quarto ano são oferecidas disciplinas específicas de biologia, física e
química, para a respectiva formação de professor do ensino médio.

 

Acesse uma versão do artigo no Arxiv.

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