Comentário feito por Krishnamurti Andrade no Facebook do Mestrado Profissional de Ensino de Física da UFRJ:
“Torno a perguntar, a SBF se opõe a essa ideia bizarra do MEC mas há físicos aparentemente apoiando o “Currículo interdisciplinar para licenciatura em ciências da natureza” como no link que coloquei acima.
Ué, esse “superprofessor” que se formará nesses cursos não é exatamente o operário que o mec está querendo?”
O posicionamento da SBF mencionado no comentário encontra-se neste link.
Os posicionamentos em relação ao projeto do MEC para mudança nos currículos do ensino médio ultrapassam os limites de uma discussão pedagógica, ao passo que a proposta de um currículo interdisciplinar para licenciatura em ciências da natureza que apresentei no referido artigo limitam-se a aspectos pedagógicos.
Conheço inúmeros fatos para justificar abordagem pedagógica interdisciplinar no ensino de ciências da natureza. Citarei alguns.
1) Uma professora de biologia da USP relatou que uma aluna perguntou se o carbono que eles estavam estudando era o mesmo carbono que ela conheceu na disciplina de química.
2) Ao perguntar a um professor de física como se dava o início do processo da fotossíntese, uma aluna de biologia ouviu a resposta: não sei, sou físico e não biólogo. A fotossíntese começa com um efeito fotoelétrico, e não há nada mais apreciado pelos físicos do que o assunto que deu o Nobel a Albert Einstein.
3) Acabei de fazer um levantamento na Web of Science (WoS), com a palavra-chave biology. Entre os 10 artigos mais citados, encontram-se as seguintes palavras-chaves: molecular modeling, molecular dynamics visualization, proteins, software, langmuir-blodgett films, nonlinear optical response, enhanced raman scattering, single-crystal surfaces. Existe algo mais interdisciplinar do que isso? Nossos bacharéis e licenciados de biologia, física e química estão sendo preparados para esse perfil de pesquisa científica?
4) Examinando as ementas (súmulas) dos bacharelados e licenciaturas de biologia, física e química de várias universidades brasileiras, tem-se a impressão que existe uma termodinâmica diferente para cada área. E pesquisadores de biologia molecular têm que dominar a termodinâmica tanto quanto físicos.
O currículo interdisciplinar que propomos é para formar professores de ciências para o ensino fundamental e de biologia, de física e de química para o ensino médio. Não estamos propondo um professor de ciências para o ensino médio. Agora, o que se pretende é não formar professores de física que pensem que a fotossíntese é um problema exclusivo da biologia, professores de biologia que desconheçam as leis básicas da termodinâmica e da eletrodinâmica que explicam fenômenos de dinâmica molecular.

