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Archive for 21 de fevereiro de 2016

Um texto quase impenetrável em homenagem às introduções de Umberto Eco.
Não é apenas uma metáfora referente à diferença de tratamento que se dá a um apartamento em Paris e um triplex no Guarujá. São fatos da realidade em laboratórios de pesquisa que escancara a hipocrisia dos tempos atuais, quando a conexão entre ciência e política se faz presente. Estou revendo a biografia de Robert Andrews Millikan para um livro que estou organizando sobre a luz e suas tecnologias. Sobre uma parte dessa biografia escrevi um artigo para a RBEF em 1995 (http://www.sbfisica.org.br/rbef/pdf/vol17a10.pdf). Millikan é acusado de “cozinhar” seus dados experimentais para favorecer a teoria que defendia. No experimento clássico sobre a carga do elétron, ele observou 175 gotas de óleo, mas só apresentou os resultados de 58, justamente as que estavam de acordo com a sua hipótese, e escondeu as outras que podiam concordar com a hipótese de Ehrenhaft. Existem outros casos na história da ciência, incluindo aí os dados do eclipse solar de 1919, que comprovou a teoria da relatividade geral. Pergunto a quem já trabalhou com experimentos científicos, não importa a área, se alguma vez seus dados não foram “cozinhados” e seus espectros não foram penteados. Pentear espectros é excluir pontos que estão muito fora da curva. Existe até um programa de computador para fazer isso. Quando o espectro tem os pontos muito dispersos, e fica muito “feio”, limpa-se o espectro pegando sequencialmente 3 pontos, fazendo-se a média das medidas e substituindo o ponto do meio pela média. Resulta um espectro limpíssimo. Isso não tem qualquer problema, quando o efeito observado em uma curva experimental é muito destacado, e os pontos fora da curva resultam apenas de flutuações, até mesmo na voltagem da rede. Mas, isso pode chegar a fraudes sérias. Então, onde estão os limites da ética? Existe diferença entre dar cesta básica nos dias que antecedem as eleições, e dar cesta básica de forma institucional? Ambas as práticas podem ser classificadas como populistas, mas atendem a interesses ideológicos bem distintos. É daí que sai a diferença de tratamento dado ao apartamento da Avenue Foch e ao triplex do Guarujá.

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