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Durante as décadas e 20 e 30 (séc. XX), a Ribeira era o bairro dos ricos de Natal. O Café Magestic reunia o melhor da sociedade natalense da época e era uma marca registrada do bairro.
Em dado momento o proprietário, preocupado com o crescente número de “fiados”, compartilhou sua preocupação com um amigo, também frequentador do Café – poeta, boêmio, dono de um senso de humor apurado – o qual sugeriu ao amigo que afixasse um cartaz no estabelecimento, que ele teria o maior prazer em redigir o texto.
Sugestão aceita. No dia seguinte lia-se em letras garrafais, logo no salão principal do tradicionalíssimo Café Magestic, esta peça rara da literatura brasileira:
Pra que não haja transtorno
Aqui no meu barracão
Só vendo fiado a corno
Fela da puta e ladrão
Fonte: “A Natal que Eu Vi”, de Lauro Pinto.
PS – Conta-se que o número de “fiados” foi quase a zero.
Para você entender que não era fácil fugir do FIADO, diz Evaldo que SEU PAI FALIU POR SUA CAUSA.
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Archive for the ‘natal’ Category
Fábrica de semicondutores em São Carlos
Posted in cientistas, Divulgação científica, física, História da Ciência, imprensa, Inovação Tecnológica, natal, tagged carlos paz, fábrica, física, Inovação Tecnológica, memórias ferroelétricas, semicondutores, symetrix on outubro 24, 2008| Leave a Comment »
Na minha coluna deste mês, na Ciência Hoje Online, trato dos materiais ferroelétricos e sua utilização na fabricação de memórias não voláteis. O assunto foi veiculado em inúmeros jornais (veja, por exemplo: Jornal da Ciência, Folha Online, G1 da Globo.com), mas o processo tecnológico foi deixado meio de lado. A Fábrica de São Carlos vai integrar memórias ferroelétricas em pastilhas de Si com a lógica pronta. Isto é, a parte de semicondutores será realizada por uma indústria do exterior, mas o valor agregado ao produto final é mais de 10 vezes maior na fábrica de São Carlos do que na indústria que vai fornecer as pastilhas de Si. Uma pastilha de 8 polegadas, com toda a estrutura semicondutora montada nos circuitos integrados, custa aproximadamente 700 dólares. Com a memória ferroelétrica ela passará a custar 10 mil dólares!
Na minha coluna eu mostro como o pessoal da Symetrix dominou este processo tecnológico.
Sob a perspectiva histórica, escrever esta coluna me deu uma enorme alegria. A Symetrix
, uma empresa americana, localizada em Colorado Springs, foi fundada por este jovem senhor ao lado, Carlos A. Paz de Araújo. Êpa, não é brasileiro? Sim, brasileiro e natalense, que aos 17 anos foi participar de um programa de intercâmbio cultural nos EUA e por lá ficou. Fomos contemporâneos em Natal, morávamos em ruas próximas, mas não fazíamos parte da mesma turma. De modo que o conhecia de longe. Mas isso não importa. Importa o que ele fez nos EUA.
Cursou engenharia, entrou para o quadro de professores de engenharia elétrica e computacional da Universidade do Colorado, e transformou-se num dos mais importantes cientistas na área de materiais ferroelétricos. Isso não é força de expressão ou ufanismo barato. Quer ver?
Vamos começar por um tipo de reconhecimento da comunidade científica. Visite este endereço do IEEE. Você vai ver que ele ganhou o prêmio Daniel E. Noble de 2006, concedido pelo Institute of Electrical and Electronics Engineers. Veja o que consta na página do prêmio:
The IEEE Daniel E. Noble Award was established by the IEEE Board of Directors in 2000 for outstanding contributions to emerging technologies recognized within recent years. It may be presented annually on the recommendation of the IEEE Technical Field Awards Council and the IEEE Awards Board. It can be presented to an individual or team of up to three.
The award is named in honor of Dr. Daniel E. Noble, Executive Vice Chairman of the Board emeritus of Motorola. Dr. Noble is significantly known for the design and installation of the nation’s first statewide two-way radio communications system. The system was the first in the world to use FM technology.
Dr. Daniel E. Noble was an IEEE Life Fellow. He was awarded the IEEE Edison Medal in 1978; For leadership and innovation in meeting important public needs, especially in developing mobile communications and solid state electronics.
The IEEE Daniel E. Noble Award was previously named the Morris N. Liebmann Award, which was originally established by the Institute of Radio Engineers in 1919 and then assumed by the IEEE in 1963 when the two organizations merged.
In the evaluation process, the following criteria are considered: emerging technologies recently discovered, invented or recognized technology importance, impact, originality, breadth, significance, and the quality of the nomination.
The award consists of a bronze medal, certificate and honorarium.
E o que fez o dr. Paz de Araújo para receber essa honraria? Parte do que ele fez está no link acima, referente ao anúncio da sua premiação. Se você puder acessar a web of science, e fizer uma busca com a palavra-chave ferroelectric*, vai descobrir que existem 39.422 artigos. Pois nessa vastidão, o trabalho mais citado, com 2.086 citações em 24/10/2008, conta com a sua participação.
Com a expressão de busca ferroelectric memor*, temos 3.047 artigos. Carlos Paz participa nos dois mais citados, e o terceiro é de uma equipe coreana, mas o material é aquele descoberto por ele.
Esse número de citações é muito grande. Pouquíssimos cientistas têm trabalho com tanto impacto.
Nicolelis, paulistano palmeirense, de Macaíba para o Mundo
Posted in cientistas, Divulgação científica, Inovação Tecnológica, natal, prêmio nobel on junho 1, 2008| Leave a Comment »

O título é uma brincadeira, inspirada em piada que José Vasconcelos contava nos anos sessenta. Era algo assim:
– Rádio Clube de Pernambuco, PRK 30, de Recife para o muuuuuundo!
O título também é equivocado, deveria ser do Mundo para Macaíba. Tudo isso é exagero de potiguar emocionado com o que vem fazendo Miguel Angelo Laporta Nicolelis, renomado neurocientista, criador do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra O IINN-ELS fica em Macaíba, uma cidadezinha ao lado de Natal.
Já faz tempo que o homem está na boca do povo, mas confesso que ainda não tinha parado para saber mais sobre ele, até que vi a emocionante entrevista que ele deu para a revista Caros Amigos.
Logo na capa afirma-se que ele é um dos 20 maiores cientistas vivos do mundo. Procurei saber quem lhe tinha atribuído este título. Descobri no seu currículo Lattes que na verdade ele foi escolhido pela revista americana Scientific American, em 2004, como um dos 50-Research Leader in Biomedical Engineering. Na web of science vi que entre os seus 136 trabalhos, 4 foram publicados na Nature e 4 na Science, duas das mais importantes revistas científicas em todo o mundo. Além disso, seus trabalhos publicados na Scientific American e as matérias em que ele é objeto nesta revista dão uma boa medida do seu interesse pela popularização da ciência.
Tem muita gente torcendo para que ele seja o primeiro brasileiro a ganhar o Prêmio Nobel.














