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Archive for the ‘Textos diversos’ Category

Tempos atrás eu preveni que a onda de ódio não ia acabar bem. Por favor, não incitem os de miolo mole entrarem nessa onda. Respondam-me, antes das eleições de 2014, algum político do PSDB, DEM, PPS, e outros da oposição chegou a ser molestado por PTistas em locais públicos, como restaurantes, shoppings, praças, etc? Depois das eleições, vários políticos do PT e seus aliados começaram a ser importunados nesses lugares públicos.

Outro dia vi um vídeo, havia um vereador tomando café numa praça de alimentação de um shopping, não se sabe de qual partido governista. Uma dezena de pessoas fizeram uma simulação de dança de quadrilha em torno da mesa. Uma coisa abominável. Era óbvio que em algum momento a reação viria, como a invasão que fizeram hoje no triplex de Paraty e a aglomeração que fizeram ontem em frente à Globo no Rio. E a Globo, com a desfaçatez que lhe é peculiar, chama essa turma de milícia petista, mas jamais chamaram de milícia PSDBista ou PPSista, DEMista aqueles que picharam e colocaram bombas na sede do PT. E agora um dos seus colunistas está pedindo a volta dos militares. É assim que tudo começa, e amanhã, com os militares, nem vocês que apoiam essa ignomínia estarão livres de perseguição. Quem passou por isso sabe como é.

Em 1989, eu estava na França e vi a tristeza de um físico iugoslavo ao dizer que seu país estava à beira de uma guerra civil. Logo depois a tristeza virou realidade e amigos matando amigos com a metralhadora na mão e as lágrimas nos olhos. Não contribua para que isso chegue aqui. Desonrar um adversário político pela força bruta é o caminho mais curto para isso. A única forma digna de trocar o poder numa democracia é pela força do voto. Preparem a população para fazer isso neste ano e em 2018, e deixem de semear ódios e de alimentar uma eventual intervenção militar. Não é a corrupção que todos praticam, infelizmente, que justifica esse movimento todo, é simplesmente o desejo de tomar o poder do PT. Tomem pelo voto, e não pelo derramamento de sangue.

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O planejado para aquele dia era fotografar locais parisienses importantes para a Geração Perdida, ali no entorno do Jardim de Luxembourg. Já de saída uma grande dúvida. Partiríamos da estação do metrô Sèvres Babylone, pelo Boulevard Raspail até a rua de Fleurus ou da estação Odeon e seguiríamos para a rua de mesmo nome? A primeira alternativa nos levaria ao endereço onde Gertrude Stein, a autora da expressão “Geração Perdida”, viveu com Alice Toklas, de 1903 a 1938. Saindo da Odeon chegaríamos aos dois primeiros endereços da Livraria Shakespeare and Company. Ambas alternativas levariam à rua Vaugirard, nos anos 1920-1930 a mais badalada e bem habitada das ruas que tangenciam o Jardim de Luxembourg, garante Sérgio Augusto, autor de “E foram todos para Paris”.

Decidimos saltar na Sèvres Babylone e escolher o roteiro tomando um cappuccino no aconchegante Bar de la Croix Rouge, na rua de Sèvres. Foi ali que grudei os olhos numa página do Lonely Planet de Paris. Era sobre o Quartier Latin e dizia que não havia lugar melhor para sentir, cheirar e provar aquela região do que a rua Mouffetard. Sua feira a céu aberto, suas lojas de vinho e suas cafeterias formam um cenário mágico, depreendi da leitura. Imediatamente resolvemos mudar o roteiro.

O mapa do guia Le Petit Parisien indicava um bom percurso: seguir pelo Boulevard Saint Germain e entrar à direita no Saint Michel. Ali na esquina, para não sucumbir à tentação de ir até à Vaugirard e enveredar pelo Jardim de Luxembourg, dizia meu cérebro bem programado: feche os olhos, siga o Saint Michel e jamais dobre à direita, sempre à esquerda. Não, isso não é uma metáfora política, é apenas uma orientação geográfica. Para qualquer visitante ocasional aquele percurso tem uma caixinha de surpresa atrás de outra. A primeira surpresa foi quando demos de cara com a Place de la Sorbonne, na frente de um belo prédio. Turistas fotografando, guia explicando, provavelmente que aquele era um dos prédios mais antigos da Sorbonne, mas, nem a guia, nem qualquer membro daquele grupo colocou os olhos num busto que estava à esquerda da praça. Era Auguste Comte, o pai do positivismo. Logo lembrei do prof. Hélgio Trindade, grande conhecedor da vida e obra do precursor da sociologia.

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Logo depois da praça da Sorbonne, a passos largos entramos à esquerda na rua Cujas, no rumo da Mouffetard. Mas, logo no cruzamento da Cujas com a Saint Jacques, um prédio sem qualquer atrativo arquitetônico chama a atenção pela inscrição no alto da sua fachada: Universites Paris I Paris II Centre Pantheon. Ops, para um visitante em busca da Geração Perdida, aquela inscrição era um sinal de alerta, logo materializado quando, alguns passos adiante, avistamos o imponente prédio do Pantheon, depositário de marcos históricos da cultura francesa. À esquerda de quem olha a frente do prédio, a majestosa biblioteca Sainte Genevieve, com seus mais de dois milhões de documentos catalogados. Com muita energia resistimos à tentação de ali entrar e jogar olhares furtivos ou profundos sobre suas históricas prateleiras. Fotografamos tudo no entorno, da fachada às placas de rua.

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Pantheon

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Biblioteca Sainte Genevieve

Para não perder os últimos raios de luz daquele agradável dia parisiense e fotografar o mercado da Mouffetard, de novo rumamos a passos largos para a rua Clovis e tivemos que parar. À nossa direita, o Lycée Henri IV. Agora, me responda, é possível passar na frente desse monumento da educação francesa sem parar, nem que seja para um breve extasiamento (eu sei, a palavra não existe nem eu sou Guimarães Rosa)? Fiz mais do que isso, cliquei de todos os ângulos. Comovido, fotografei a placa à memória das crianças judias que, com a cumplicidade do Governo de Vichy, dali foram enviadas para a morte em campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial.

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O cair da tarde em rápida progressão não nos impediu de registrar a maravilhosa rua Mouffetard, mas, isso já é outra história.

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Um texto quase impenetrável em homenagem às introduções de Umberto Eco.
Não é apenas uma metáfora referente à diferença de tratamento que se dá a um apartamento em Paris e um triplex no Guarujá. São fatos da realidade em laboratórios de pesquisa que escancara a hipocrisia dos tempos atuais, quando a conexão entre ciência e política se faz presente. Estou revendo a biografia de Robert Andrews Millikan para um livro que estou organizando sobre a luz e suas tecnologias. Sobre uma parte dessa biografia escrevi um artigo para a RBEF em 1995 (http://www.sbfisica.org.br/rbef/pdf/vol17a10.pdf). Millikan é acusado de “cozinhar” seus dados experimentais para favorecer a teoria que defendia. No experimento clássico sobre a carga do elétron, ele observou 175 gotas de óleo, mas só apresentou os resultados de 58, justamente as que estavam de acordo com a sua hipótese, e escondeu as outras que podiam concordar com a hipótese de Ehrenhaft. Existem outros casos na história da ciência, incluindo aí os dados do eclipse solar de 1919, que comprovou a teoria da relatividade geral. Pergunto a quem já trabalhou com experimentos científicos, não importa a área, se alguma vez seus dados não foram “cozinhados” e seus espectros não foram penteados. Pentear espectros é excluir pontos que estão muito fora da curva. Existe até um programa de computador para fazer isso. Quando o espectro tem os pontos muito dispersos, e fica muito “feio”, limpa-se o espectro pegando sequencialmente 3 pontos, fazendo-se a média das medidas e substituindo o ponto do meio pela média. Resulta um espectro limpíssimo. Isso não tem qualquer problema, quando o efeito observado em uma curva experimental é muito destacado, e os pontos fora da curva resultam apenas de flutuações, até mesmo na voltagem da rede. Mas, isso pode chegar a fraudes sérias. Então, onde estão os limites da ética? Existe diferença entre dar cesta básica nos dias que antecedem as eleições, e dar cesta básica de forma institucional? Ambas as práticas podem ser classificadas como populistas, mas atendem a interesses ideológicos bem distintos. É daí que sai a diferença de tratamento dado ao apartamento da Avenue Foch e ao triplex do Guarujá.

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Programa transmitido pela rádio France Info, 24/10/2015.

http://www.franceculture.fr/emission-le-secret-des-sources-journalisme-scientifique-quelles-relations-entre-journalistes-et-scie

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Veja a reportagem sobre a entrada do computador no sistema bancário brasileiro.

ProgTVsobreComputador

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