1969 foi o ano do último vestibular com questões dissertativas na UFRN. Para o curso de engenharia civil, a única especialidade então existente em Natal, o vestibular consistiu de provas de matemática e física (cada uma com 10 questões), e uma prova de desenho geométrico e geometria descritiva, me parece que tinha 4 questões. Tinha uma prova de conhecimentos gerais, mas só lembro mesmo que tinha uma dissertação (não lembro qual foi o tema) e um texto de inglês para traduzir com auxílio de um dicionário. Lembro que era um texto sobre a Sudene.
As provas foram feitas na Escola de Engenharia, um dos primeiros prédios do Campus Universitário. Hoje o prédio é conhecido como o prédio da antiga Escola de Engenharia. Atualmente, os departamentos de engenharia ocupam as instalações do Centro Tecnológico, CT para os íntimos.
Com a reforma universitária de 1968, os dois primeiros anos de engenharia eram ministrados no recém-criado Instituto de Matemática (IM), que funcionava num pequeno prédio na rua Mipibú. Parece que ali funcionava, até 1967-1968, a Escola de Engenharia.
O fato é que em 1969 os feras, como eram chamados os calouros, tiveram aulas naquele prédio, e os alunos do segundo ano em diante tinham aulas no prédio novo, lá no campus (foto acima).
Nosso ciclo básico consistia de disciplinas anuais: Cálculo I e II, Física I e II, Geometria Analítca, Geometria Descritiva e Mecânica Racional.
Em 1970, o IM foi transferido para o magnífico prédio das antigas faculdades de farmácia e odontologia, na cidade baixa, ladeado pelo SESC e pela casa de Luís da Câmara Cascudo.
No final do primeiro semestre, nosso professor de Física II, Liacir, veio com a novidade: a UFRN fez um convênio com a PUC do Rio para formar professores de física para criação do Departamento de Física. Até então, os professores de física eram lotados no IM. Era um plano ambicioso, que deveria ser testado com três estudantes. Se tudo desse certo, a UFRN poderia enviar outros.
É aqui que começa a história dos filhos da puc.


No texto “Os feras de engenharia em 1969” há referência a um pequeno prédio na Rua Mipibu.
Lá funcionava o Instituto de matemática e física, não o Instituto de matemática.
Hoje e desde algum tempo funciona a moradia estudantil feminina da UFRN.
E quando da mudança para a cidade alta, não cidade baixa, o nome foi mantido.
Nos dois prédios havia inscrição no frontispício: Instituto de matemática e física.
Dentre os futuros filhos da Puc, houve alguns desses ‘feras’ que tiveram uma história ligeiramente diferente.
Lembra da questão dos excedentes, aqueles que passavam no vestibular e não havia vagas?
Em 1968 essa questão foi resolvida enviando gente para outros estados.
Mas em 1969, o nosso ano de ingresso, a UFRN mandou os excedentes aguardarem que tudo se resolveria sem a necessidade do êxodo.
Realmente se resolveu, mas com uma diferença de um semestre.
Os que ingressaram no primeiro semestre foram distribuídos em duas turmas (acho que eram em número de 100 e foram criadas duas turmas de 50 cada), uma matutina, outra vespertina, como se dizia então, ou seja, uma pela manhã, outra à tarde.
Mas os excedentes foram alocados na que ficou então conhecida como terceira turma.
Com certeza, eu e o Nilson Sena pertencíamos a essa turma (lembro de outros que não vieram a se tornar filhos da Puc), que iniciou as aulas em Agosto de 1969 no prédio da Rua Mipibu.
As aulas eram noturnas e nosso professor de física I foi o Galvão.
Durante o dia eu era aluno do NPOR, no quartel do 16o. RI.
No 1o. semestre de 1970 já frequentávamos o novo prédio, na cidade alta.
Por razões que desconheço, nossa oferta de física II não pôde ser feito na data prevista, Agosto de 1970.
Parece que o Galvão teve de se ausentar por um tempo de Natal e, evidentemente, não havia professor para substituí- lo.
Não me perguntem a razão pela qual ele teve de se ausentar…
O fato é que nossa física II foi oferecida em regime intensivo em período de férias (2 de Janeiro a 28 de fevereiro, 1971): passamos aquele verão estudando o Alonso-Finn, volume II.
Uma das razões foi justamente a necessidade de concluirmos a tempo de chegar na Puc em Março aptos a continuar os conteúdos (acho que na disciplina de física IV).
Depois continuo.
Ops, desculpe o ato falho, quando escrevi Cidade Baixa. É que aqui em Porto Alegre tem um bairro que se chama Cidade Baixa, onde morei durante o doutorado. Uma vez escrevi uma crônica para um jornal de Areia Branca, cujo título era A memória e curta e turva. Essa é a minha memória.
Eu também achava que era Instituto de Matemática e Física, mas não tinha certeza.
Com relação às três turmas, acho que a história é a seguinte. Por causa do problema dos excedentes, em 1969 a UFRN dobrou o número de vagas para engenharia, passou de 45 para 90 vagas.
Foram aprovados 41 na primeira época, 12 na segunda e 10 na terceira. Os primeiros 53 formaram as duas turmas. Uma tinha Fisica I com Juarez (Marcelo e não lembro quem mais) e o professor da outra era o Galvão (eu, chico vela branca, Éden, creio que Eraldo e não lembro quem mais).
Completar as 90 vagas, a UFRN decidiu admitir 27 cadetes das forças armadas. Esses 37 formaram a turma noturna.
Prezados Carlos Alberto e Ciclâmio
Que boa surpresa encontrar na internet um pouco de discussão sobre a História da Física no Rio Grande do Norte.
O tempo não poupa ninguém e vejo aqui uma prova de como surgem ruídos, pequenas diferenças e versões um pouco distoantes da realidade. Tudo bem! Vocês eram muito jovens para perceberem os fatos com todo rigor e exatidão.
Algumas dessas diferenças não merecem ser mencionadas. Outras, entretanto, precisam ser ressaltadas. Só para exemplificar: O Instituto de Física existiu oficialmente e era independente do Instituto de Matemática. Apenas funcionavam no mesmo prédio e tinham o mesmo diretor. Tenho aqui até uma fotografia do prédio com os dois nomes na fachada, Instituto de Física e Instituto de Matemática.
Outro fato: A transformação do Instituto de Física em Departamento de Física Teórica e Experimental é que foi consequência da Reforma Universitária.
Um grande abraço
Liacir
Querido Liacir, obrigado pelo comentário, que tem uma informação por mim desconhecida. Não sabia que existiam os dois institutos. Você não poderia me enviar uma cópia dessa foto, para colocar aqui no blog?
Por favor, nos visite com mais freqüência e acrescente aqui as informações que achar pertinentes.
Grande abraço
Carlos Alberto