Outra burrice, vai abandonar engenharia para fazer física?
Foi isso que ouvi dos meus colegas do Banco do Nordeste. Dois anos antes de entrar na engenharia, eu havia passado num concurso do banco. Quatro meses antes do vestibular pedi demissão para ter tempo para me preparar melhor. O gerente ficou desesperado. Como é que alguém com um emprego garantido no Bando do Nordeste (naquela época, ser bancário só perdia em prestígio e condição de vida, para médicos e engenheiros bem estabelecidos), ia largar tudo para se arriscar num vestibular dificílimo!
Quando os visitei depois do vestibular, eles me deram razão. Mas agora era uma loucura. Deixar de ser engenheiro para ser professor de física na UFRN?
Os três “loucos”, selecionados em função do histórico escolar eram Everton, Alzamir, e este narrador. Mas tal qual meus colegas bancários, o pai de Everton, não entendia essa loucura e tanto fez que Everton desistiu. Marcelo foi selecionado em seu lugar.
O acordo com a Puc compreendia:
- nós seríamos dispensados das anuidades;
- a UFRN daria uma bolsa mensal de Cr$ 500,00 (quinhentos cruzeiros) Isso era quase três salários mínimos;
- dependendo do nosso rendimento escolar, poderíamos ganhar bolsa de iniciação científica do CNPq e salário de monitoria.
A soma dessas três fontes de renda era um pouco maior do que uma bolsa de mestrado.
Partimos, de ônibus-leito da Viação Aparecida (era esse o nome? Parece que depois transformou-se em Viação Nordeste, é isso mesmo?). Foi uma choradeira geral. Cada um em suas casas e depois na rodoviária. Alzamir tinha uma namorada, uma bela namorada, que se afogava em lágrimas. Fernando Lima (era esse o nome?) fez Marcelo se derreter na sua casa, cantando Hey Jud. E logo o quê. Cantar Beatles àquela altura era pedir para puxar lenço.
Na minha casa, bem, minha macheza não me permite dizer mais nada.