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Estou sem tempo para escrever uma crônica sobre o George Martin, por muitos considerado o 5o. Beatle. E também para deixar registrada a minha grande admiração pelo coral Meninas Cantoras de Petrópolis, reproduzo aqui o belo texto de João Resende, disponível em https://beatlestothepeople.wordpress.com/2010/03/04/o-dia-que-os-anjos-brasileiros-cantaram-para-o-maestro/

Os anjos brasileiros que encantaram o maestro

Sir George Martin não é simplesmente o produtor da maior banda de todos os tempos. Ele é o quinto Beatle. Martin é uma peça do universo Beatle que, sem ela, eu duvido muito que as coisas um dia chegariam perto do que foram. Beatlemaníacos mais recentes, que podem ainda não saber o valor desse cara, agradeçam e MUITO ao Sir George Martin. E como é o propósito da coluna Beatles&Brasil mostrar que o Fab Four não está tão longe assim de nossa realidade, que legal poder trazer esta história para vocês.

Em 1993, foi planejado um grande espetáculo do Projeto Aquarius, com a direção artística de Péricles de Barros. O concerto aconteceria na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, para comemorar os 30 anos do primeiro sucesso dos Beatles. Buscando trazer valor para a comemoração, foi convidado para reger o grande maestro e arranjor responsável pelo sucesso do Quarteto de Liverpool: Sir George Martin.

No concerto, estavam planejadas uma orquestra sinfônica, uma banda e um coral. O quinto Beatle exigiu que a produção enviasse para Londres gravações dos melhores corais brasileiros pois desejava escolher qual estaria mais ao seu gosto.Cerca de 200 gravações de corais brasileiros foram enviadas para Abbey Road e, finalmente chegou-se a um veredicto: o show seria das Meninas Cantoras de Petrópolis.

Com a palavra, Ricardo Pugialli, conhecido autor de livros sobre os Beatles e um dos organizadores de tal expedição:

Após o lançamento do livro, contatamos Robertinho de Recife e contamos a conversa que tivemos com George Martin, e que iríamos enviar o disco dele. Nesta conversa surgiu a idéia do concerto, com Martin regendo a Orquestra Sinfônica Brasileira, junto com um grupo de rock, tocando as músicas dos Beatles, segundo os arranjos feitos por ele.

Os primeiros meses de 1993 foram dedicados a negociações com a direção do Projeto Aquarius, que comungava do desejo de trazer o famoso maestro e produtor. Uma fita de vídeo com a história do Aquarius e seus principais eventos foi especialmente preparada e enviada à Londres, junto com um dado que sensibilizou George Martin: o Projeto Aquarius sempre foi um evento gratuito, popular, atraindo dezenas de milhares de pessoas, normalmente nos jardins da Quinta da Boa Vista.

Com a simpatia que George Martin nutria por nós, aliada à possibilidade de fazer o concerto de sua vida, sua resposta foi positiva. O projeto inicial previa um grupo de rock, com nomes a serem escolhidos, e um coral, que seria o Garganta Profunda, por seu trabalho recente com músicas dos Beatles. Ao longo das negociações, ficou acertado que o Coral de Petrópolis e as Meninas Cantoras de Petrópolis ficariam no projeto, no lugar do Garganta.

 

O Coral das Meninas Cantoras de Petrópolis foi fundado em 1976. Nasceu de uma idéia feminista do maestro Marco Aurélio Xavier e já tem diversos CDs gravados, participações em vários eventos de porte. Cantaram ao lado de grandes nomes como Elizeth Cardoso, Simone, Roberto Carlos, Fábio Jr e Xuxa. Mas sem dúvida, nada maior do que cantar para um dos maiores nomes da música de todos os tempos. Voltando para o relato de Pugialli:

No dia 15 de outubro de 1993, um vôo da Varig trazia George Martin, sua esposa Judy, seu filho Giles (que além de assistente do pai, iria tocar na banda), sua filha Lucy e seu sócio, o também produtor John Burgess. Eu estava no mesmo vôo. Na escala em São Paulo fui dar as boas vindas, em nome de todos os brasileiros.

Tivemos o fim-de-semana livre para um belo passeio de barco pela orla do Rio de Janeiro. Como George Martin possuía um iate, ele logo estava no comando, levando todos até as ilhas Cagarras, onde um banho de mar foi desfrutado por seus filhos e alguns membros do staff a bordo. Quando passávamos em frente à Ipanema tirei aquela que seria uma das mais belas fotos de George Martin no Rio. Esta foto foi pirateada e enviada para revistas no exterior, tal a sua beleza.

Começa a semana e os ensaios também. Primeiro, no auditório do jornal O Globo, trabalhos entre os Corais e o Grupo de Rock, formado por Robertinho de Recife (guitarra-solo e violão), Giles Martin (guitarra-ritmo e violão), Mauro Senise (sax), Fernando Moura (teclados), Jamil Joanes (baixo), Ricardo Magno (vocais), Carlos Bala (bateria), mais os percussionistas Peninha, Chacal, Cezinha e Cizinho.

Na sexta-feira, dia 22, os ensaios foram realizados no palco da Quinta da Boa Vista, com todos os músicos e cantores reunidos pela primeira vez . Mas o imprevisto aconteceu: a chuva impediu que os músicos da Orquestra Sinfônica ficassem em suas posições, sob o risco de perderem seus instrumentos.  Um novo ensaio aconteceu no sábado,dia 23, véspera do show. George Martin pode finalmente reger todos, numa bela prévia do que seria o espetáculo. Foi um momento mágico, ver o homem que lapidou o som dos Beatles ali, na Quinta da Boa Vista.

Em seguida, os ensaios foram deslocados para a Sala Cecília Meireles, onde o Grupo de Rock tocou junto com a Orquestra Sinfônica Brasileira. Belos momentos desta noite de sábado foram preservados, como Giles Martin bem à vontade, ou discutindo uma passagem com Robertinho de Recife. Ou mesmo aguardando o momento de colocar seu violão em ação. Em seguida, Robertinho de Recife deu um show à parte durante o meddley Carry That Weight / The End, com solos que encantaram todos os presentes no ensaio. Tudo estava perfeito para o dia seguinte. Tudo?

No dia do espetáculo, um público estimado de 100 mil pessoas estava presente. Mas ninguém contava com a chuva, que impediu a participação da orquestra.  Mas nem o maestro, nem o coral, e muito menos uma grande parte da platéia pretendia desistir.

No domingo, dia 24, eram aguardadas cerca de 100 mil pessoas nos jardins da Quinta da Boa Vista. Mas uma chuva torrencial desabou sobre o Rio de Janeiro, levando a acreditar que o concerto seria cancelado.

Uma multidão estimada em 20 mil pessoas resistiu enquanto a produção improvisou coberturas para o Grupo de Rock. Os dois Corais ficaram na chuva, enquanto que a Orquestra Sinfônica Brasileira teve que se retirar. O que se viu então foi inesquecível: um George Martin tão entusiasmado, que recusou a proteção contra a chuva que lhe ofereciam. Todos os arranjos foram adaptados para suprir a falta da Orquestra. Um vídeo enviado por Paul McCartney especialmente para o evento foi exibido, onde ele conversava com George Martin e o público. Foi uma apoteose.

Em 1997, Martin retornou ao Brasil por outros motivos. Quando estava embarcando de volta, uma surpresa para o maestro. As Meninas Cantoras de Petrópolis estava lhe esperando no Aeroporto do Rio de Janeiro para cantar-lhe alguns sucessos dos Beatles. O maestro, visivelmente emocionado, vai a frente e rege a apresentação. Nesse ano, resolvendo gravar sua ultima produção, o CD “In my life”, ele incluiu as Meninas na faixa “Ticket to Ride”, ao lado de grandes astros da música internacional como Celine Dion, Phil Collins e Sean Connery.

Demais, né? Assista à matéria do Fantástico da época que o George Martin passou aqui pela segunda vez:

https://youtu.be/zlzstRs8b78

Esta outra matéria da TV Serra e Mar fala sobre a vida de uma menina do coral e mostra bastante coisa desse encontro no aeroporto.

https://youtu.be/Dns6UZ-3eKU

Para encerrar este artigo tão especial vou dar uma amostra do motivo pelo qual o quinto Beatle tem tanta paixão pelas Meninas de Petrópolis. No vídeo abaixo, elas arrebentam com My Sweet Lord.

https://youtu.be/lOkAxzdRrcI

Tem como não amar?

Tempos atrás eu preveni que a onda de ódio não ia acabar bem. Por favor, não incitem os de miolo mole entrarem nessa onda. Respondam-me, antes das eleições de 2014, algum político do PSDB, DEM, PPS, e outros da oposição chegou a ser molestado por PTistas em locais públicos, como restaurantes, shoppings, praças, etc? Depois das eleições, vários políticos do PT e seus aliados começaram a ser importunados nesses lugares públicos.

Outro dia vi um vídeo, havia um vereador tomando café numa praça de alimentação de um shopping, não se sabe de qual partido governista. Uma dezena de pessoas fizeram uma simulação de dança de quadrilha em torno da mesa. Uma coisa abominável. Era óbvio que em algum momento a reação viria, como a invasão que fizeram hoje no triplex de Paraty e a aglomeração que fizeram ontem em frente à Globo no Rio. E a Globo, com a desfaçatez que lhe é peculiar, chama essa turma de milícia petista, mas jamais chamaram de milícia PSDBista ou PPSista, DEMista aqueles que picharam e colocaram bombas na sede do PT. E agora um dos seus colunistas está pedindo a volta dos militares. É assim que tudo começa, e amanhã, com os militares, nem vocês que apoiam essa ignomínia estarão livres de perseguição. Quem passou por isso sabe como é.

Em 1989, eu estava na França e vi a tristeza de um físico iugoslavo ao dizer que seu país estava à beira de uma guerra civil. Logo depois a tristeza virou realidade e amigos matando amigos com a metralhadora na mão e as lágrimas nos olhos. Não contribua para que isso chegue aqui. Desonrar um adversário político pela força bruta é o caminho mais curto para isso. A única forma digna de trocar o poder numa democracia é pela força do voto. Preparem a população para fazer isso neste ano e em 2018, e deixem de semear ódios e de alimentar uma eventual intervenção militar. Não é a corrupção que todos praticam, infelizmente, que justifica esse movimento todo, é simplesmente o desejo de tomar o poder do PT. Tomem pelo voto, e não pelo derramamento de sangue.

O planejado para aquele dia era fotografar locais parisienses importantes para a Geração Perdida, ali no entorno do Jardim de Luxembourg. Já de saída uma grande dúvida. Partiríamos da estação do metrô Sèvres Babylone, pelo Boulevard Raspail até a rua de Fleurus ou da estação Odeon e seguiríamos para a rua de mesmo nome? A primeira alternativa nos levaria ao endereço onde Gertrude Stein, a autora da expressão “Geração Perdida”, viveu com Alice Toklas, de 1903 a 1938. Saindo da Odeon chegaríamos aos dois primeiros endereços da Livraria Shakespeare and Company. Ambas alternativas levariam à rua Vaugirard, nos anos 1920-1930 a mais badalada e bem habitada das ruas que tangenciam o Jardim de Luxembourg, garante Sérgio Augusto, autor de “E foram todos para Paris”.

Decidimos saltar na Sèvres Babylone e escolher o roteiro tomando um cappuccino no aconchegante Bar de la Croix Rouge, na rua de Sèvres. Foi ali que grudei os olhos numa página do Lonely Planet de Paris. Era sobre o Quartier Latin e dizia que não havia lugar melhor para sentir, cheirar e provar aquela região do que a rua Mouffetard. Sua feira a céu aberto, suas lojas de vinho e suas cafeterias formam um cenário mágico, depreendi da leitura. Imediatamente resolvemos mudar o roteiro.

O mapa do guia Le Petit Parisien indicava um bom percurso: seguir pelo Boulevard Saint Germain e entrar à direita no Saint Michel. Ali na esquina, para não sucumbir à tentação de ir até à Vaugirard e enveredar pelo Jardim de Luxembourg, dizia meu cérebro bem programado: feche os olhos, siga o Saint Michel e jamais dobre à direita, sempre à esquerda. Não, isso não é uma metáfora política, é apenas uma orientação geográfica. Para qualquer visitante ocasional aquele percurso tem uma caixinha de surpresa atrás de outra. A primeira surpresa foi quando demos de cara com a Place de la Sorbonne, na frente de um belo prédio. Turistas fotografando, guia explicando, provavelmente que aquele era um dos prédios mais antigos da Sorbonne, mas, nem a guia, nem qualquer membro daquele grupo colocou os olhos num busto que estava à esquerda da praça. Era Auguste Comte, o pai do positivismo. Logo lembrei do prof. Hélgio Trindade, grande conhecedor da vida e obra do precursor da sociologia.

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Logo depois da praça da Sorbonne, a passos largos entramos à esquerda na rua Cujas, no rumo da Mouffetard. Mas, logo no cruzamento da Cujas com a Saint Jacques, um prédio sem qualquer atrativo arquitetônico chama a atenção pela inscrição no alto da sua fachada: Universites Paris I Paris II Centre Pantheon. Ops, para um visitante em busca da Geração Perdida, aquela inscrição era um sinal de alerta, logo materializado quando, alguns passos adiante, avistamos o imponente prédio do Pantheon, depositário de marcos históricos da cultura francesa. À esquerda de quem olha a frente do prédio, a majestosa biblioteca Sainte Genevieve, com seus mais de dois milhões de documentos catalogados. Com muita energia resistimos à tentação de ali entrar e jogar olhares furtivos ou profundos sobre suas históricas prateleiras. Fotografamos tudo no entorno, da fachada às placas de rua.

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Pantheon

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Biblioteca Sainte Genevieve

Para não perder os últimos raios de luz daquele agradável dia parisiense e fotografar o mercado da Mouffetard, de novo rumamos a passos largos para a rua Clovis e tivemos que parar. À nossa direita, o Lycée Henri IV. Agora, me responda, é possível passar na frente desse monumento da educação francesa sem parar, nem que seja para um breve extasiamento (eu sei, a palavra não existe nem eu sou Guimarães Rosa)? Fiz mais do que isso, cliquei de todos os ângulos. Comovido, fotografei a placa à memória das crianças judias que, com a cumplicidade do Governo de Vichy, dali foram enviadas para a morte em campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial.

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O cair da tarde em rápida progressão não nos impediu de registrar a maravilhosa rua Mouffetard, mas, isso já é outra história.

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Um texto quase impenetrável em homenagem às introduções de Umberto Eco.
Não é apenas uma metáfora referente à diferença de tratamento que se dá a um apartamento em Paris e um triplex no Guarujá. São fatos da realidade em laboratórios de pesquisa que escancara a hipocrisia dos tempos atuais, quando a conexão entre ciência e política se faz presente. Estou revendo a biografia de Robert Andrews Millikan para um livro que estou organizando sobre a luz e suas tecnologias. Sobre uma parte dessa biografia escrevi um artigo para a RBEF em 1995 (http://www.sbfisica.org.br/rbef/pdf/vol17a10.pdf). Millikan é acusado de “cozinhar” seus dados experimentais para favorecer a teoria que defendia. No experimento clássico sobre a carga do elétron, ele observou 175 gotas de óleo, mas só apresentou os resultados de 58, justamente as que estavam de acordo com a sua hipótese, e escondeu as outras que podiam concordar com a hipótese de Ehrenhaft. Existem outros casos na história da ciência, incluindo aí os dados do eclipse solar de 1919, que comprovou a teoria da relatividade geral. Pergunto a quem já trabalhou com experimentos científicos, não importa a área, se alguma vez seus dados não foram “cozinhados” e seus espectros não foram penteados. Pentear espectros é excluir pontos que estão muito fora da curva. Existe até um programa de computador para fazer isso. Quando o espectro tem os pontos muito dispersos, e fica muito “feio”, limpa-se o espectro pegando sequencialmente 3 pontos, fazendo-se a média das medidas e substituindo o ponto do meio pela média. Resulta um espectro limpíssimo. Isso não tem qualquer problema, quando o efeito observado em uma curva experimental é muito destacado, e os pontos fora da curva resultam apenas de flutuações, até mesmo na voltagem da rede. Mas, isso pode chegar a fraudes sérias. Então, onde estão os limites da ética? Existe diferença entre dar cesta básica nos dias que antecedem as eleições, e dar cesta básica de forma institucional? Ambas as práticas podem ser classificadas como populistas, mas atendem a interesses ideológicos bem distintos. É daí que sai a diferença de tratamento dado ao apartamento da Avenue Foch e ao triplex do Guarujá.

FrontCienciaDez2015

http://frontdaciencia.blogspot.com.br/2015/12/ensino-de-ciencias-na-escola.html