Estou cheio de coisas para fazer, sem tempo para escrever no blog, mas não resisti. Acabei de ler a coluna que o gajo aí do título escreveu para a Info Exame de dezembro. Título do artigo: AEUTEM1CPI. Sub-título: Não uso siglas. Faço questão de usar o português correto no PC.
Puxa vida, até que enfim encontrei uma pessoa com espaço na boa mídia, indignada com o besterol do aki, aieee, blz. Isso tem muito a ver com outra praga, o estrangeirismo, contra o que já escrevi aqui:
https://professorcas.wordpress.com/2008/11/08/ta-tudo-dominado/
Quem quiser ler o Dagomir, é só visitar seu blog: http://dagomir.blogspot.com/


Gostei do texto da Info. Não é o primeiro que leio mas realmente soltaram poucos parecidos desde aquele que eu li. Eu também evito siglas e perfumarias. Tanto que nao entendi essa sigla AEUTEM1CPI. Mas a curiosidade matou o gato (miau) o que seria?
No final da coluna, o Dagomir traduz a sigla: Aqui Estou Eu Tentando Escrever Mais 1 Coluna Para a Info.
Li hoje a coluna e achei ótima! Além das siglas, ele também mencionou a boa pontuação e acentuação. Espero que influêncie muita gente, até porque, já cansei de ter que lutar para adivinhar o que são afirmativas e o que são interrogativas em conversas na internet.
Blog bacana! Abraços…
Obrigado, Tih, pelo comentário. Se possível, faça comentário em outras mensagens.
S I G L A S
Asséde Paiva
25/8/2009
S
iglas, siglas e siglas, odeio siglas!
Segundo Houaiss, sigla é substantivo feminino
1 Rubrica: paleografia.
letra inicial de uma palavra ou conjunto de letras iniciais de diversas palavras, us. como abreviação em monumentos, moedas , medalhas e manuscritos antigos
2 Derivação: por extensão de sentido.
redução de um intitulativo complexo a suas: a) letras iniciais, sem formar palavra (O.A.B. = Ordem dos Advogados do Brasil); b) letras iniciais, formando palavra (O.N.U. = Organização das Nações Unidas); c) sílabas iniciais, formando quase palavras (Benelux = Bélgica, Nederland [Países Baixos] e Luxemburgo); d) partes iniciais, formando quase palavras (Petrobras = Petróleo Brasileiro S.A.); acrógrafo, acrograma
2.1 redução literal, ger. de intitulativos (p.ex., bibliônimos), baseada nas letras iniciais de cada um ou de alguns dos componentes do intitulativo a que se referirem
3 sinal convencional; rubrica, marca
A minha birra com siglas vem de longa data. Em 1983, em coletânea que chamei O homem, a administração, a organização e os sistemas, escrevi texto, inserido à página 122, com este teor:
SIGLAMANIA
Um modismo tecno-burocrata atacou todos os órgãos federais, estaduais, municipais e todos os poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), já lançou raízes e floresce em todas as empresas ─ mesmo nas particulares. Falamos do uso de siglas em substituição aos nomes completos dos órgãos, serviços, valores, etc. É a volúpia das abreviaturas. Tais simplificações tornam-se correntes e de fácil entendimento por aqueles que as usam frequentemente, mas é o inferno do usuário que não convive com elas todos os dias.
A SEST (traduzindo: Secretaria de Controle de Empresas Estatais), publicou Relatório de Atividades em 1981, onde se conta 359 siglas de empresas estatais ou assemelhadas. Claro está que o relatório só é completamente entendido pelos próprios autores.
O ex-ministro da Indústria e Comércio, Dr. Marcus Vinícius Pratini de Moraes, falando no XII CONSEG (outra vez a sigla), Conferência Brasileira de Seguros Privados e de Capitalização (no caso a sigla tem pouco a ver com sua tradução), informou que “o Brasil ganhou o campeonato mundial de convivência com a inflação, e o último prêmio nós recebemos ao matar o Cruzeiro ─ hoje em dia a gente aplica dinheiro em ORTN, toma dinheiro emprestado para construir casa em UPC, toma financiamento agrícola em VBC, paga multa em MVR, faz correção salarial em INPC…” Se quisesse S. E.xa poderia continuar informando ainda que pagamos multa ao Estado do Rio de Janeiro em UFERJ; o R.J. só presta informações em processos formados mediante pagamento de um DARJ; a inflação é conhecida pelo IGP; o INPS faz convênio com hospitais na base de US; etc., etc.
O leitor fica convidado não só a decifrar as siglas citadas antes, como também as relacionadas a seguir:
INPS
PETROFERTIL
DNAEE
SEST
IBM
BNCC
ALCOA
CSN
BNDES
BASA
GEIPOT
CAMIG
SEPLAN
PROEMP
SNI
COPASA
PLANCOOP
SESC
SESI
CVM
ECEX
OCB
CEF
DNER
FENACOR
AFRMM
LTN
SEI
ELETROSUL
BB
ARSA
LTN
SEI
BNH
CRTA
FUNENSEG
DNOCS
CEDAE
CAPES
OAB
CFTA
BANERJ
ABERT
RFF
CONCEX
FENABAN
FINEP
DASP
CMN
FEPASA
EMBRATEL
SUDAM
DATAMEC
SUNAB
SINTAERJ
EBN
DIGIBRAS
IRB
INCRA
ECT
EMBRAPA
CEASA
CCCPMM
TELEMIG
INAN
CEASA
CEPLAC
EMBRAER
FRANAVE
INAMPS
COFFITO
FUNDACENTRO
CONFER
LBA
CODOMAR
SENAI
SNBP
SUSEP
FSESP
IAPAS
FUNAI
SENAC
FGV
MOBRAL
ENGEFER
COBAL
As siglas proliferam como coelhos e, só no Brasil, são centenas de milhares, quiçá milhões. A utilidade de siglas é questionável, se simplificam a comunicação entre os ‘iniciados’, são totalmente herméticas para os leigos. E creio, em última análise, que representam o poder burocrático. Burocracia é onde mora o perigo. Parte de minha vida foi dedicada ao extermínio da burocracia, ganhei algumas batalhas, mas creio que perdi a guerra. Eu perdi; Hélio Beltrão, o Ministro Extraordinário para Desburocratização, perdeu; o Brasil perdeu.
Algumas siglas, a seguir, creio que estão entre as primeiras criadas e foram muito importantes no mundo antigo; algumas o são até hoje. São elas:
SPQR = Senatus Populusque Romanus (Senado e o Povo Romano) ou Salve Populum Quiritium Rex (Salve! Rei do Povo Romano). Detalhes abaixo.
INRI = Jesus Nazareno Rei dos Judeus
GADU = Grande Arquiteto do Universo (Nome de Deus, na maçonaria)
AMDG = Ad Majorem Dei Gloriam (Para Maior Glória de Deus); é a divisa da Companhia de Jesus)
SJC = Supplex Illustrior Crescam (Suplicante Crescerei mais Esclarecido); divisa do duque de Mântua
LPD = Lilis Pedibus Destruere (Destruir o Lírio com os Pés); divisa da maçonaria, na Revolução Francesa
QED = Quod Erat Demonstrandum (Como queríamos demonstrar)
Parece-me que os inventores ou primeiros utilizadores de siglas foram os romanos. Nós as vemos nas moedas, nos estandartes, nos monumentos e documentos. A mais famosa das siglas romanas é SPQR e com muitas interpretações sérias ou jocosas. Em sequência vamos transcrevê-las por puro diletantismo:
No livro Frases e curiosidades latinas, de Arthur Rezende, 1936, 3ª edição, à p. 700, nº. 5968, lemos: S. P. Q. R.
No estandarte do povo sabino, liam-se as quatro letras S. P. Q. R., que significavam:
“Sabino Populo quis resisteri?”
“Quem resistirá ao povo sabino?”
Roma, sua vizinha, respondeu com as mesmas letras: “Senatus populusque romanus”. O senado e o povo romano. Outra interpretação: Salve populum quiritum rex. Salve! Rei do povo romano!
No guião que sahe à frente da procissão dos Passos vemos as mesmas letras, que ahi significam: “Salve populum quem redimisti”. Salva o povo que remiste”.
É uma invocação à cruz. O povo dá várias interpretações:
Senhor dos Passos querido redemptor.
─ Sal, pão, queijo, rapadura.
Seu padre quer rapé?
E por fim:
Sancte Pater, quare rides?
Santo Padre, porque te ris?
E o Papa responde pelas mesmas letras, invertidas: Rideo quia Papa sum. Rio-me porque sou Papa.
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Algumas siglas retiradas do Dicionário latino vernáculo de J. F. Marques Leite e A. J. Novaes Jordão, Editora Lux, Rio de Janeiro, 1958:
AAA = Aere, argento, Auro
BA = Bonis Auguriis
CC = Consulibus
CAP = Capitalis
DDD = dat, donat, dedicat
DOM = Deo optimo maximo
EM = Egregiae memoriae
FP = Flamen perpetuus
GL = gênio loci
GI = Germânia inferior
IHFC = Ipsius heres faciundum curavit
LI = Lex Julia
MM = magister militum
NMV = nobilis memória vir
PK = pridie kalendas
QVIR = Quirites
RP = Respublica
SC = Senatus consultum
TRTH = Tuas res tibi habeto (fórmula de repúdio, “Fica com que é teu!”)
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Outras siglas, em latim, obtivemos na internet, no Caderno 3, do Diário do Nordeste, coluna de frei Hermínio Bezerra, de 1/9/2008. Ele, antes de nos fornecer as siglas, discorre, com elegância, sobre a origem da palavra sigla:
Sigla. Do latim, sigla, siglorum (pl.) = sinais de abreviação de uma palavra ou frase. Em grego: siglai e também semeia, de onde vêm semântica e sematologia, numa prova de que ‘sigla’ se relaciona com sentido. Mas a explicação da razão de existirem siglas, não é simples.
a) Para alguns a palavra latina sigla, já seria um acrônimo da expressão latina: singulae litteras = letras isoladas. Uma opinião forte a partir do termo grego: semeia = sigla e também significado.
b) Para outros a origem da sigla está na palavra sigillum = sinal. O fato de não se colocar o nome, mas apenas as letras da sigla como um sinal, estaria mais ligado ao segredo de não se identificar. Seria uma questão de privacidade, palavra tão cara ao homem hodierno. Cabe ao leitor decidir.
Siglas laicas, históricas e literárias (transcrevo algumas):
a.h.s. = anno humanae salutis, i. é, no ano da era vulgar, no ano da nossa vida.
D.I.U. = doctor iuris utriusque, i. é, doutor em direito civil e eclesiástico.
SPQR = Senado e o povo de Roma (visto antes). Esta sigla é popularíssima aqui em Roma desde a antiguidade até hoje, constava nos estandartes das legiões romanas no Império. Ainda hoje ela é vista em edifícios, ruas bueiros…
Interpretções do povo:
1. Sapiens Populus Quaerit Romam = Um povo sábio ama Roma
2. Senex Populus Quaerit Romam = Um velho povo ama Roma
3. Sanctus Petrus Quiescit Romam = São Pedro repousa em Roma
Em italiano Asterix & Obelix traduziram: Sono Pazzi Questi Romani = São loucos esses romanos. Outras: Sono Pazzi Questi Ragazzi = São loucos esses rapazes; Semper Papi Qui Regneranno = Sempre os papas aqui Reinarão; Sono Poche Questi Ravióli = São poucos esses raviólis. E muitas outras frases. Esta que segue é sugestão minha e refere-se ao Senado de um país que conhecemos: SPQR = Senadores podem e querem roubar
Siglas referentes à religião e à morte:
B.Q. = bene quiescas, i. é, repousaem paz
D.O.M. = Deo optimo maximo, i. é, Deus ótimo e máximo
H.I. = hic hacet, i. é, aqui jaz
I.N.D = in nomine Domini, i. é, em nome do Senhor. Invocação em início de viagem, a trabalho…
R.I.P. Requiescat in pace, i. é, Descanse em paz
s.s.D. = Servus Servorum Dei, i. é, Servo dos servos de Deus. Foi São Gregório Magno, que foi prefeito de Roma, depois foi Papa de 590 a 604, e foi o primeiro Papa a usar esse epíteto.
S.T.T.L. = sit tibi terra levis, i. é, que a terra te seja leva. Escrito nos túmulos
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Eis documento anônimo que pus em meu livro Ponto final em 1986. Era um artigo com este título: Como acrescentar confusão a confusão:
Pontilhe sua conversa com siglas. Em vez de admitir sua ignorância, seus ouvintes fingem que sabem exatamente o que querem dizer estas letras. Por ser incompreensível, você está na bica de assumir o controle da situação.
Não diga: Diga
Contribuição marginal CM
Capital circulante líquido CCL
Ativo fixo líquido AFL
Valor presente líquido VPL
Taxa interna de retorno TIR
Letra do Tesouro Nacional LTN
Obrigações do Tesouro Nacional OTN
Lucro disponível aos acionistas comuns LDAC
Diário do Comércio e Indústria DCI
Lucro antes dos juros, impostos, depreciação dos bens, e amortização Ebitda ou Lajida
Contadores, tesoureiros e outros elementos da área financeira têm uma nítida vantagem na manipulação de siglas. Na discussão sobre o passivo da empresa, por exemplo, poderão recorrer a uma longa lista de siglas ou abreviaturas usadas pelo próprio imposto de Renda (IR), elaborado especificamente para confundir os contribuintes. Uma rápida amostra:
Fundo de Investimento do Nordeste FINOR
Aplicação em incentivos fiscais AIF
Ficha de recadastramento de estabelecimento-sede FIRES
Imobilizações financeiras decorrentes de incentivos fiscais IFDIF
Capital de giro próprio CGP
Assembléias gerais ordinárias AGO
Associação de poupança e empréstimo APE
Fundos de investimentos setoriais FISET
Demonstrativo de receita bruta DRB
Siglas também são úteis (para o enganador) quando dão margem a mais de uma interpretação, como, por exemplo, AAA (Associação de Alcoólicos Anônimos; Associação de Atletas Amadores; Associação de Astrônomos Ascéticos; Administração de Agricultura no Acre, Associação Automobilística de Araçatuba; Agremiação dos Adversários do Anticomunismo); Amigos do Alheio Associados.
Use, se puder, siglas capazes de desorientar seus ouvintes, Insira-as no discurso como se as manipulasse durante anos…
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Outras:
AVB = Ab urb condita (Desde a fundação da cidade ─ da fundação de Roma em 753 a.C)
CA = Caesar Augustus (Imperador romano)
X.P.T.O = Artigo de excelente qualidade. Surgiu dos letreiros dos caixotes de mercadorias, em geral vindas de Londres. O X significa conferido. P.T.O ─ Packed to overseas (embalado para exportação)
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Agora, novíssimo trecho colhido no jornal O Globo de 24/8/2009, p. 7, intitulado Bom modelo, autoria de Clovis Brigadão.
[…………..] Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e na Organização para Proscrição das Armas Nucleares na América Latina (OPANAL): firme transparência dos objetivos pacíficos de ambos os programas nucleares. Dois novos desafios surgiriam: (a) novas relações científicas, tecnológicas e comerciais desenvolvidas entre os dois países com a comunidade internacional; (b) adaptação das regras criadas sob regime e escrutínio do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) e do MCTR (Regime de Controle de Tecnologia de Míssel) que tratam das armas de destruição em massa.
Para administrar essa política bilateral foi criada (1991) a Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle dos Materiais Nucleares (ABACC), de natureza jurídica internacional e composta por técnicos argentinos e brasileiros; aqueles fiscalizam instalações e materiais nucleares do Brasil e os técnicos brasileiros verificam tudo o que é nuclear na Argentina. Até mesmo instalações militares passam pela verificação da ABACC, altamente competente. Isso não ocorre em nenhum outro lugar do mundo! Com o Acordo Quadripartite, assinado entre Brasil, Argentina, a própria ABACC e a AIEA, a ABACC construiu, nas últimas décadas, um índice de verificação de fazer inveja até mesmo à AIEA. É um modelo que pode servir para todas as regiões…
Para saber mais:
PAIS, José Machado. Um dia sou turista na minha própria cidade. Lisboa: In Cidades nº 18, junho de 2009, pp. 29-40.
RÓNAI, Paulo. Pois é. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1990, pp. 255-264.
REZENDE, Arthur. Frases e curiosidade latinas. Rio de Janeiro: Editora A Noite, 1936, pp. 14, 371, 700 e 774.