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Archive for the ‘imprensa’ Category

Na minha coluna deste mês, na Ciência Hoje Online, trato dos materiais ferroelétricos e sua utilização na fabricação de memórias não voláteis. O assunto foi veiculado em inúmeros jornais (veja, por exemplo: Jornal da Ciência, Folha Online, G1 da Globo.com), mas o processo tecnológico foi deixado meio de lado. A Fábrica de São Carlos vai integrar memórias ferroelétricas em pastilhas de Si com a lógica pronta. Isto é, a parte de semicondutores será realizada por uma indústria do exterior, mas o valor agregado ao produto final é mais de 10 vezes maior na fábrica de São Carlos do que na indústria que vai fornecer as pastilhas de Si. Uma pastilha de 8 polegadas, com toda a estrutura semicondutora montada nos circuitos integrados, custa aproximadamente 700 dólares. Com a memória ferroelétrica ela passará a custar 10 mil dólares!

Na minha coluna eu mostro como o pessoal da Symetrix dominou este processo tecnológico.

Sob a perspectiva histórica, escrever esta coluna me deu uma enorme alegria. A Symetrix, uma empresa americana, localizada em Colorado Springs, foi fundada por este jovem senhor ao lado, Carlos A. Paz de Araújo. Êpa, não é brasileiro? Sim, brasileiro e natalense, que aos 17 anos foi participar de um programa de intercâmbio cultural nos EUA e por lá ficou. Fomos contemporâneos em Natal, morávamos em ruas próximas, mas não fazíamos parte da mesma turma. De modo que o conhecia de longe. Mas isso não importa. Importa o que ele fez nos EUA.  

Cursou engenharia, entrou para o quadro de professores de engenharia elétrica e computacional da Universidade do Colorado, e transformou-se num dos mais importantes cientistas na área de materiais ferroelétricos. Isso não é força de expressão ou ufanismo barato. Quer ver?

Vamos começar por um tipo de reconhecimento da comunidade científica. Visite este endereço do IEEE. Você vai ver que ele ganhou o prêmio Daniel E. Noble de 2006, concedido pelo Institute of Electrical and Electronics Engineers. Veja o que consta na página do prêmio:

The IEEE Daniel E. Noble Award was established by the IEEE Board of Directors in 2000 for outstanding contributions to emerging technologies recognized within recent years. It may be presented annually on the recommendation of the IEEE Technical Field Awards Council and the IEEE Awards Board.  It can be presented to an individual or team of up to three.

The award is named in honor of Dr. Daniel E. Noble, Executive Vice Chairman of the Board emeritus of Motorola. Dr. Noble is significantly known for the design and installation of the nation’s first statewide two-way radio communications system. The system was the first in the world to use FM technology.

Dr. Daniel E. Noble was an IEEE Life Fellow. He was awarded the IEEE Edison Medal in 1978; For leadership and innovation in meeting important public needs, especially in developing mobile communications and solid state electronics.

The IEEE Daniel E. Noble Award was previously named the Morris N. Liebmann Award, which was originally established by the Institute of Radio Engineers in 1919 and then assumed by the IEEE in 1963 when the two organizations merged.

In the evaluation process, the following criteria are considered: emerging technologies recently discovered, invented or recognized technology importance, impact, originality, breadth, significance, and the quality of the nomination.

The award consists of a bronze medal, certificate and honorarium.

E o que fez o dr. Paz de Araújo para receber essa honraria? Parte do que ele fez está no link acima, referente ao anúncio da sua premiação. Se você puder acessar a web of science, e fizer uma busca com a palavra-chave ferroelectric*, vai descobrir que existem 39.422 artigos. Pois nessa vastidão, o trabalho mais citado, com 2.086 citações em 24/10/2008,  conta com a sua participação.

Com a expressão de busca ferroelectric memor*, temos 3.047 artigos. Carlos Paz participa nos dois mais citados, e o terceiro é de uma equipe coreana, mas o material é aquele descoberto por ele.   

Esse número de citações é muito grande. Pouquíssimos cientistas têm trabalho com tanto impacto.

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Faz muito tempo, bem antes da existência desse meio de comunicação, que penso em escrever sobre este tema. Antes não tinha o espaço apropriado, agora, neste momento, estou sem tempo, mas não vou perder a oportunidade de fazer o registro. Depois voltarei ao assunto.

Hoje pela manhã, na Rádio Gaúcha, aqui em Porto Alegre, provocada por André Machado, a respeito do sensacionalismo em torno da morte da menina Eloá Cristina Pimentel, sobretudo o acompanhamento do seu funeral por redes TV em rede nacional.  Ana Amélia Lemos disse, ipsis litteris:

É, isso pode influenciar mentes fracas.

Trata-se de um mea culpa, de uma respeitada jornalista. Sempre achei que o cinema e a imprensa provocam uma espécie de efeito manada no comportamento de amplos setores da sociedade. Antigamente na saída de um ingênuo filme bang-bang, muitos meninos sentiam-se o próprio John Wayne. Hoje, depois de um pulp fiction, parece mais lógico estrangular e beber o sangue do próximo que estiver à nossa frente.

Claro, jornalistas e cineastas, pelo menos publicamente, sempre estiveram contra esta hipótese. Sempre disseram que o que eles fazem é reproduzir as manifestações sociais, e que esta reprodução não tem efeito realimentador.

Teria muito mais a dizer, mas tenho outros afazeres. Como diria o Anonymous Gourmet: voltaremos!

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Conheci o Google em 1998, por recomendação do meu estudante de doutorado Gabriel Simon. Era evidente que se tratava de algo impressionante. Tratei logo de colocá-lo nas minhas páginas e deixei de usar os antigos mecanismos de buscas, que não passavam de simples diretórios. Lembra? Aonde, AltaVista, Busca, Guia Web, HotBot, Open Directory, Prokura, Radar Uol, Yahoo, entre muitos outros. A idéia de ferramenta de busca, como hoje a conhecemos foi introduzida pelo pessoal do Google.

Para dar visibilidade à página, éramos obrigados a registrá-la na infinidade de diretórios. E colocá-los em algum lugar da página como estratégia de realimentação. O Google veio para acabar com isso.

Para dar visibilidade à página, éramos obrigados a registrá-la na infinidade de diretórios. E colocá-los em algum lugar da página como estratégia de realimentação. O Google veio para acabar com isso.

Naquela época, a página da Sociedade Brasileira de Física (SBF) também adotava o mesmo procedimento; uma lista de diretórios. Escrevi para o administrador da página, falando sobre o Google, que não havia mais necessidade de colocar os diretórios; que bastava colocar um link para o Google que o visitante da página tinha à disposição uma bela ferramenta de busca.

Fui solenemente desconsiderado pelo administrador, que na sua santa ignorância deve ter imaginado que aquela sugestão vinha de algum estúpido visitante. O que não deve ele hoje pensar, ao ver no que deu o Google!

Post Scriptum: a propósito, muitas empresas de comunicação, aquilo que em inglês se conhece como media company, estão com os cabelos em pé com o http://knol.google.com/, a mais nova invenção do Google.

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Não precisa muita sagacidade para perceber a hipocrisia que corre na veia do brasileiro. A mídia está aí para nos mostrar diariamente acusações, por parte dos formadores de opinião e do público em geral, da falta de honestidade e da corrupção dos políticos.

Todos esquecem que os políticos somos nós. Isso não é uma metáfora. Quero dizer que muitos dos que acusam os políticos, fariam o mesmo se lá estivessem. Muitos dos que acusam os políticos não têm o menor pudor em furar filas, dar e receber cola na escola, pedir para o guarda de trânsito relevar uma falta, ou tentar suborná-lo (depois, o corrupto é o guarda!).

Tudo isso estamos careca de saber. Mas, agora psicólogos americanos investigaram esse comportamento, que eles denominam hipocrisia moral. Denominação óbvia e correta. A notícia saiu no New York Times de hoje , e se refere a três artigos publicados em três diferentes revistas de psicologia.

No estudo realizado na Universidade Nordeste (Northeastern University), o psicólogo David DeSteno e colaboradores (http://desteno.socialpsychology.org), observaram pessoas submetidas à seguinte situação:

A pessoa era informada de que ela e outra pessoa que chegaria mais tarde deveriam realizar uma tarefa em um computador. Eram duas tarefas diferentes. Uma bem simples, consistindo em selecionar fotos durante 10 minutos. A outra mais complexa e tediosa, um exercício sobre geometria mental, levava 45 minutos.

A pessoa tinha que decidir como dividir a tarefa: deixar que o computador distribua aleatoriamente as tarefas, ou escolher sua tarefa. Qualquer que fosse a opção, a pessoa era informada de que a outra pessoa não sabia que a decisão cabia a ela, a primeira pessoa.

A questão é: qual a forma justa de dividir as tarefas?

Quando a questão era colocada abstratamente a pessoas não envolvidas nas tarefas, todos respondiam que não seria justo escolher a tarefa mais simples.

Mas, quando os pesquisadores colocaram a situação para um grupo de teste, mais de 75% do grupo escolheu a tarefa mais simples. Quando posteriormente foram questionados eles consideraram que estavam agindo justamente.

Alguma semelhança com o que eu disse no início do texto? Isso também justifica porque uns são considerados patriotas, enquanto outros são terroristas. Uns são corruptos, enquanto outros simplesmente demonstram maestria no jeitinho brasileiro.

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Hoje pela manhã, a jornalista Rosane de Oliveira, da Rádio Gaúcha (Porto Alegre), falando sobre uma notícia publicada no Jornal Zero Hora, pronunciou o nome da juíza Regina Co-e-lí. Em seguida, sua colega de programa, Ana Amélia Lemos pronunciou Regina Céli. Tomei um susto quando ouvi a pronúncia da Rosane, pois estou, desde criança, acostumado a ouvir a pronúncia usada por Ana Amélia.

Essa “rateada” da Rosane despertou meu espírito ranzinza em relação aos estrangeirismos. Não estou considerando expressões latinas como tal, tanto que assinaria o texto que o Sebastião Nery publicou no Correio de Sergipe, em 09/04/2005, e que transcrevo abaixo. Estou falando dos estrangeirismos resultantes do quase analfabetismo de muita gente que deveria dominar a língua portuguesa. Às vezes não é analfabetismo, é dominação cultural. No jogo Brasil e Argentina de ontem, o narrador da Rádio Gaúcha, Pedro Ernesto Denardin, se esforçava para usar uma pronúncia que ele imagina ser a correta (talvez seja) para o nome do jogador Javier Zanetti: ZANêTTI. Era ZANêTTI prá cá, ZANêTTI prá lá, mas, quando a guarda lingüística relaxava, lá vinha ele com a pronúncia que os brasileiros costumam usar: ZANéTTI!

Há alguns anos ouvi um Secretário de Estado do Rio Grande do Sul falando sobre as dificuldades do setor calçadista: O problema é o low price shoes chinês.

Até nosso velho e bom futebol de praia, coisa que inventamos, tentaram roubar. Anos atrás, a Globo patrocinava o beach soccer. E o Júnior, cracão da nossa seleção, enchia a boca BEACH SOCCER.

Anos atrás virou moda andar de bicicleta (baique) à noite em Goiânia. Vi uma matéria na TV sobre isso: tratava-se do walking on night!

Ontem vi um grande painel (outdoor) aqui em Porto Alegre com uma propraganda de um tênis para running!

Quanto tempo eu ficaria aqui se quisesse apresentar todas as barbaridades que conheço? Vou parar por aqui.

Não bastasse isso, e talvez tenha tudo a ver com isso, o modo como o jornalismo de hoje em dia anda tratando nossa língua é uma tristeza. Antigamente, muito antigamente, os jornais tinham os revisores. Muitos estudantes universitários ganhavam a vida nessa função. Aos poucos foram desaparecendo, até transformarem-se em objeto de história com a informatização das redações. Com a clássica debilidade no manejo verbal de nossos estudantes universitários de hoje, a coisa está como o diabo gosta. Veja o que saiu na capa de um suplemento do Jornal Zero Hora.

Antes do lexotan, por favor o texto do Sebastião Nery.

LATIM
Como a crase de Ferreira Gullar, também o Latim não foi feito para humilhar ninguém. Dois mil anos depois, é a única língua morta que continua viva, no DNA da maioria das palavras das línguas ocidentais, mesmo não sendo as neo-latinas, como as anglo-saxônicas. E na literatura, na cultura, sobretudo na ciência. É uma língua precisa, matemática, quase sem exceções e irregularidades. Remédio sem nome em latim, não tome que faz mal.
Se a TV ou a imprensa vai citar palavra latina, então que cite certo. Nesses dias papais, muita bobagem foi dita, sobretudo nas TVs. “Regina Coeli” (pronuncia-se Céli) era sempre pronunciada “Co-eli”. O Latim tem algumas palavras com as vogais geminadas, coladas : “ae” é “é” e não “a-e”. “Aedes Egypti”, o mosquito da dengue, pronuncia-se “Édes” e não “A-edes”.
Da mesma forma “Coeli”, que é “Céli” e não Co-eli”. Errado e soa mal.

mailto:sebastiaonery@ig.com.br

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