Objetos de Aprendizagem
Texto Contra 03
© 2007, C. A. dos Santos
O teceiro texto contra também foi extraído do blog de Marcos Telles, e encontra-se neste endereço
Learning Objects: porque não deram certo
Veja o início do artigo.
Na postagem anterior, falei de um estudo da União Européia que mostra que, na prática, a idéia de learning-objects não funciona. Nesta postagem, vamos ver que essa não é uma constatação isolada.
Na literatura corrente, uma das definições mais citadas é aquela do IEEE segundo a qual learning-object é qualquer entidade, digital ou não-digital, que possa ser usada, reusada ou referenciada num processo de aprendizagem com apoio de tecnologia [inclusive pessoas, organizações e eventos]. Nessa linha, learning-object seria outra palavra para “tudo”, já que tudo pode ser usado, reusado ou referenciado num processo de aprendizagem. Um repositório de learning-objects seria um imenso depósito ou lista de tudo, abrangendo o conteúdo de bibliotecas, hemerotecas, discotecas, filmotecas, mapotecas, power-points, simuladores, fotos, músicas, ilustrações em flash, pessoas e tudo mais que alguém conseguisse ligar a um processo de aprendizagem.
Veja os comentários.
Contra03
Introdução | Conceituação | Rived | Repositórios | Inserção em hipertexto | Bibliografia | MapaBibliografia


Acho que a polêmica é a melhor forma de possibilitar a reflexão.
Fernando
Mas existem muitas outras razões para o surgimento e consolidação do conceito “objeto de aprendizagem”. Alguns dos objetos educacionais mais sofisticados de hoje permitem coletar e armazenar dados sobre caminhos trilhados, decisões tomadas, valores de parâmetros utilizados, tempo de utilização, mudança de decisão após recebimento de feedback … Onde podem ser guardados esses dados? Eles são guardados no ambiente de curso! Isso é possível pois foi desenvolvido um modelo de comunicação entre objetos de aprendizagem e base de dados do ambiente de curso. Essa é uma das componentes do SCORM. E facilita em muito a vida de quem vai oferecer o curso. Por isso tem sido tão falado e tão usado. Lógico que existem algumas limitações sob o ponto de vista pedagógico (por exemplo, quanto às tarefas colaborativas), mas isso fica para a resposta às próximas provocações.
Outra característica relevante dos objetos de aprendizagem é que hoje existe um certo consenso quanto a um modelo mínimo de metadados para descrever o objeto (o core do IEEE LOM). É muito útil conhecermos por exemplo o autor e instituição responsáveis pela criação de um objeto de aprendizagem, que tecnologia utiliza, tamanho, tempo estimado de uso … Outros itens do conjunto de metadados podem parecer menos relevantes, mas com a revolução que vem aí com a computação móvel daqui a pouco vamos ver exemplos de ambientes e aplicações que facilitam o acesso a objetos de aprendizagem sensíveis ao perfil do usuário, adaptáveis ao contexto onde ele está (posição geográfica, pessoas às quais está conectado, tarefas que está realizando …), que fornecem feedback adaptável ao usuário e contexto … Devemos parar nos recursos digitais do século passado ou pensar que o ambiente de aprendizagem poderá não ser mais aquele tradicional, que os conteúdos digitais não serão mais somente aqueles para serem usados individualmente, que a combinação de objetos pode ser feita em vários níveis e não somente aquela “pré-determinada” pelo professor?
Para não parecer “viagem” de quem fala e não faz, sugiro que visitem o site o RIVED no MEC onde se vêem objetos inseridos em atividades (seguindo a linha do IMS Learning Design, agregando mais de um objeto para compor um conjunto rico de atividades) e cito um caso que o Marcos conhece bem de produção de objetos de aprendizagem em larga escala feita por alunos de ensino médio em colaboração com alunos universitários. Eles identificam no dia a dia situações problema que estejam relacionadas aos assuntos curriculares. Criam um roteiro para uma simulação. Enviam para a universidade e lá, alunos das faculdades de educação, arquitetura e engenharia da computação produzem as simulações. Nem os alunos nem os professores precisam saber o que são objetos de aprendizagem! Mas todos aprendem, e muito, no processo todo. Após terminados, esses objetos são guardados num repositório para que outras pessoas possam fazer o download e utilizar. (Recebem os metadados, são “empacotados” …). O site do projeto é www.labvirt.futuro.usp.br. Ele apareceu antes de todo esse movimento de autoria que surgiu com a Web2.0, mas segue a mesma filosofia. Marcos, você mudou de opinião quanto a esse projeto? As coisas que mencionei enriquecem o campo educacional?
Para ter uma idéia da riqueza da discussão hoje em dia comparada à superficialidade das colocações que podemos fazer neste espaço tão pequeno, sugiro que olhem o número especial sobre Education and Pedagogy with Learning Objects and Learning Designs da edição atual (numero 23) da revista Computers in Human Behavior, da Elsevier.