Hoje vi um pequeno vídeo do MPB4 cantando alguns acordes de Deu pra ti, a icônica e bela canção de Kleiton e Kleidir. Me deu saudade do Portinho, dos tantos amigos que fiz ao longo dos 30 anos em que lá vivi. A memória afetiva é assim. Puxa uma vírgula, sai um ponto. Puxa uma palavra, sai uma frase. Puxa aqui, puxa acolá, cheguei no horizonte do Bailei na Curva. Quando voltei para Natal, depois do doutorado, Clarisse tinha sete anos. Um dia coloquei Horizontes no toca-disco. Minha filhota se afogou em lágrimas. Tínhamos assistido a peça, em algum final de semana de 1983 ou 1984, em um teatro depois da Carlos Gomes. Não consigo lembrar qual.
Essa é a história portalegrense de Clarisse.
Há muito tempo que ando
Nas ruas de um porto não muito alegre
E que, no entanto, me traz encantos
E um pôr do Sol me traduz em versos
De seguir livre muitos caminhos
Arando terras, provando vinhos
De ter ideias de liberdade
De ver amor em todas idades
Nascí chorando, moinhos de vento
Subir no bonde, descer correndo
A boa funda de goiabeira
Jogar bolita, pular fogueira
Sessenta e quatro, sessenta e seis
Sessenta e oito um mau tempo talvez
Anos setenta não deu pra ti
E nos oitenta eu não vou me perder por aí
Não vou me perder por aí

Antes de Horizontes, meu resgate afetivo era Deu pra ti.

Deu pra ti
Baixo astral
Vou pra Porto Alegre
Tchau
Deu pra ti
Baixo astral
Vou pra Porto Alegre
Tchau
Quando eu ando assim meio down
Vou pra Porto e, bah, tri legal
Coisas de magia, sei lá
Paralelo 30
Alô tchurma do Bonfim
As guria tão tri afim
Garopaba ou Bar João
Beladona e chimarrão
Que saudade da Redenção
Do Fogaça e do Falcão
Cobertor de orelha pro frio
E a galera no Beira Rio
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