Algoritmos de IA continuam emburrecendo Google e Google Acadêmico (GA)

Já escrevi sobre isso aqui e em outros locais. Volto a escrever porque estou ficando mais aborrecido com essa história. A busca de hoje foi para descobrir quando se deu a primeira aplicação médica da tomografica por emissão de pósitrons, mas conhecida como PET-SCAN. Pelo que sei deve ter sido depois de 1960. Então, coloquei no GA “pet scan” e marquei o ano de 1960 para a busca. O primeiro documento apresentado pelo algoritmo foi esse:

Aparentemente se trata de um artigo publicado em 1960, por alguma revista intitulada “The Journal of . . .”. Abri o link. Eis a informação mais precisa:

O artigo foi publicado em 2000. Então de onde vem aquele 1960 que apareceu no resumo do GA? Quem conhece como funcionam os algortimos de IA, imagina que 1960 está em alguma parte do texto, e foi usado como TOKEN pelo algoritmo. Já vi isso acontecer em outras buscas que relatei.

Busquei no artigo o número 1960. Não consta no texto. O número é mais uma dessas alucinações criadas por esses algoritmos. Veja esse artigo que escrevi sobre isso no Estado da Arte / Estadão: https://estadodaarte.estadao.com.br/ciencias/erros-delirios-e-alucinacoes-do-chatgpt/.

Como o nome sugere, PET-SCAN surgiu depois da descoberta do pósitron, ocorrida em 1932. Então, busca no GA para o ano 1930 deveria deveria apresentar resultado nulo. Mas não foi isso que aconteceu:

O GA sugere que em um artigo publicado pela Frontiers in Medical Case Reports, em 1930, menciona-se o uso de PET-SCAN. Abri o link para ver se a sugestão está correta:

O título da revista está correto, mas o ano da publicação é 2020. Abri o arquivo para ver onde aparece o número 1930. Não aparece. Puro delírio do algoritmo.

Perguntei aos algoritmos de IA (ChatGPT, Claude, Copilot, DeepSeek, Gemini e Grok):

Qual trabalho relatou o primeiro uso clínico de pet scan?

Os algoritmos responderam de modo diferente, por causa do que eles consideram como “primeiro uso clínico”.

ChatGPT:

Brownell, G. L.; Sweet, W. H.
Localization of Brain Tumors with Positron Emitters.
Nucleonics, 1953.

Claude:

Sweet, W. H.; Brownell, G. L. “Localization of brain tumors with positron emitters.” Nucleonics, v. 11, n. 11, p. 40–45, 1953.

Copilot:

1951: Gordon L. Brownell e William H. Sweet propuseram o uso de emissores de pósitrons para detectar tumores cerebrais.

Esses três algoritmos aparentemente referem-se ao mesmo artigo, mas com informações desencontradas. Trocam as ordens dos autores, informam datas de publicação diferentes. Tentei localizar o artigo no GA. Procurei pelo título informado pelo ChatGPT: “Localization of Brain Tumors with Positron Emitters“, no ano de 1953.

Google Acadêmico informa que esse artigo é apenas de SWEET:

A referência completa desse artigo é: SWEET, W. G. Localization of brain tumors with positron emitters. Nucleonics, v. 11, p. 40-45, 1953. No entanto, ao abrir o arquivo, aparece uma versão em japonês, sem indicação do código DOI. Tentei achar o doi no Google, para recuparar o arquivo via sci-hub.box. Resposta do Google:

O artigo clássico “Localization of brain tumors with positron emitters”publicado por Gordon L. Brownell e William H. Sweet em 1953 na revista Nucleonics (v. 11, p. 40-45), não possui um código DOI ativo, pois foi lançado décadas antes da criação do sistema digital de identificação.

DeepSeek, Gemini e Grok têm entendimentos diferentes a respeito do que significa “primeiro uso clínico”, e apresentam referências pós 1975. Desses três, o único que apresenta uma contextualização correta é o Grok:

Existiam dispositivos de detecção de pósitrons desde os anos 1950 (ex.: Brownell e Sweet no Massachusetts General Hospital, ~1951–1953), usados para localizar tumores cerebrais com contadores de coincidência simples, mas sem verdadeira tomografia reconstruída.

Não vou entrar em detalhes a respeito dessa posição. Para mim, os pioneiros no PET SCAN são Brownell e Sweet.

Portanto, na minha opinião, a resposta mais precisa é do Claude.

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